Varig e TAM encerram vôos compartilhados
Enviado: Dom Mai 01, 2005 19:06
Varig e TAM encerram vôos compartilhados
O Estado de S. Paulo - 01/05/2005
Termina amanhã o acordo de vôos compartilhados entre as companhias Varig e TAM, em vigor desde março de 2003. Acaba assim a surpresa (boa ou má) para passageiros que compram passagem em uma companhia de sua preferência e, na hora de fazer o check-in, se vêem obrigados a entrar num avião da concorrente. Apenas no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, as duas companhias põem em operação a partir de amanhã 20 novos vôos por dia.
Firmado como uma etapa para o plano de fusão que não foi adiante, o acordo de compartilhamento, também conhecido como code share, serviu para enxugar a oferta das empresas e melhorar suas finanças em uma época de crise em todo o setor. "O code share cumpriu seu papel no momento em que o setor passava por dificuldades", afirma o relator do processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), conselheiro Luiz Carlos Prado.
A determinação do órgão de defesa da concorrência para o término do acordo, porém, não entra no mérito de se o acordo foi bom ou ruim para o setor, empresas ou passageiros. "O acordo foi uma conseqüência do processo de fusão", explica Prado. E na medida em que o projeto de fusão deixou de existir, o processo deverá ser arquivado formalmente na próxima sessão do Cade, no dia 11. "O fim do acordo é uma demonstração de que a cultura da concorrência vem se enraizando na sociedade brasileira e nas empresas."
Por causa do aquecimento do mercado - que cresceu 20% em março, ante o mesmo mês em 2004 - e também da promessa de entrada de novas companhias no setor, como a BRA e a Webjet, hoje já é possível detectar um movimento de competição por diferenciação entre as empresas."Estamos vendo companhias buscando mercados específicos. Isso amplia o número de usuários e melhora o serviço para a população."
O conselheiro do Cade evita fazer comentários sobre os efeitos do acordo para o consumidor, uma vez que o mérito da questão não entrou em julgamento no processo. De modo geral, ele defende um ambiente de concorrência para o setor aéreo, com diversas empresas operando. "Não existe um número ideal de companhias, mas não é conveniente para a sociedade ter um número muito pequeno. O ideal é que haja concorrência e opção para o consumidor", afirma Prado. Atos de concentração que restringem a competição, como acordos de code share, por exemplo, são prejudiciais, avalia Prado, não apenas em termos de preço, mas também em termos de diferenciação de serviços e inovações.
Sem um projeto de fusão por trás, seria pouco provável que o Cade aprovasse um acordo como o code share entre duas líderes de mercado. "É difícil falar em tese, tudo depende do impacto sobre a concorrência, da participação de mercado das empresas... Mas é pouco provável que um acordo desse porte fosse considerado sem a lógica da fusão", avalia. "Como a legislação não estabelece proibições por si mesmo, é preciso analisar caso a caso."
Estudo independente - Ainda está para ser feito um estudo profundo e independente sobre o impacto do code share para o consumidor em termos de preço de passagens e qualidade de serviço. Do ponto de vista do consumidor, além da suspensão temporária das ofertas, houve uma redução de opções de horários. Só na Ponte Aérea Rio-São Paulo, por exemplo, a freqüência de vôos diária das duas companhias juntas caiu de 66 para 42. Estima-se que o acordo tenha representado uma redução de 30% na oferta no mercado doméstico.
Mas não há dúvida de que, ao menos para as companhias, o acordo melhorou a produtividade em termos de aproveitamento de assentos. No primeiro trimestre de 2003, a ocupação nos vôos da Varig estava em 60%; na TAM, em 51%. Dois anos depois, no primeiro trimestre deste ano, a ocupação nas aeronaves da Varig e da TAM era de 70% e 69%, respectivamente. Em termos de participação de mercado, a TAM entrou no code share com 32% (primeiro trimestre de 2003) e hoje tem 42% (primeiro trimestre de 2005). A Varig, que tinha 28%, hoje tem 32,7%.
A TAM sai do acordo em condições melhores do que a Varig, que por conta de sua crise financeira não tem capital para importar muitas aeronaves e aumentar a oferta neste momento de mercado aquecido. Segundo o Departamento de Aviação Civil, a TAM está ampliando sua malha com nove novas rotas, enquanto a Varig está a abrindo mão de outras oito rotas. Por essas e outras razões, analistas estimam que a Varig vai continuar perdendo participação de mercado e poderá ser ultrapassada pela Gol (cuja participação no trimestre foi de 24,45%) até junho ou julho.
O Estado de S. Paulo - 01/05/2005
Termina amanhã o acordo de vôos compartilhados entre as companhias Varig e TAM, em vigor desde março de 2003. Acaba assim a surpresa (boa ou má) para passageiros que compram passagem em uma companhia de sua preferência e, na hora de fazer o check-in, se vêem obrigados a entrar num avião da concorrente. Apenas no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, as duas companhias põem em operação a partir de amanhã 20 novos vôos por dia.
Firmado como uma etapa para o plano de fusão que não foi adiante, o acordo de compartilhamento, também conhecido como code share, serviu para enxugar a oferta das empresas e melhorar suas finanças em uma época de crise em todo o setor. "O code share cumpriu seu papel no momento em que o setor passava por dificuldades", afirma o relator do processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), conselheiro Luiz Carlos Prado.
A determinação do órgão de defesa da concorrência para o término do acordo, porém, não entra no mérito de se o acordo foi bom ou ruim para o setor, empresas ou passageiros. "O acordo foi uma conseqüência do processo de fusão", explica Prado. E na medida em que o projeto de fusão deixou de existir, o processo deverá ser arquivado formalmente na próxima sessão do Cade, no dia 11. "O fim do acordo é uma demonstração de que a cultura da concorrência vem se enraizando na sociedade brasileira e nas empresas."
Por causa do aquecimento do mercado - que cresceu 20% em março, ante o mesmo mês em 2004 - e também da promessa de entrada de novas companhias no setor, como a BRA e a Webjet, hoje já é possível detectar um movimento de competição por diferenciação entre as empresas."Estamos vendo companhias buscando mercados específicos. Isso amplia o número de usuários e melhora o serviço para a população."
O conselheiro do Cade evita fazer comentários sobre os efeitos do acordo para o consumidor, uma vez que o mérito da questão não entrou em julgamento no processo. De modo geral, ele defende um ambiente de concorrência para o setor aéreo, com diversas empresas operando. "Não existe um número ideal de companhias, mas não é conveniente para a sociedade ter um número muito pequeno. O ideal é que haja concorrência e opção para o consumidor", afirma Prado. Atos de concentração que restringem a competição, como acordos de code share, por exemplo, são prejudiciais, avalia Prado, não apenas em termos de preço, mas também em termos de diferenciação de serviços e inovações.
Sem um projeto de fusão por trás, seria pouco provável que o Cade aprovasse um acordo como o code share entre duas líderes de mercado. "É difícil falar em tese, tudo depende do impacto sobre a concorrência, da participação de mercado das empresas... Mas é pouco provável que um acordo desse porte fosse considerado sem a lógica da fusão", avalia. "Como a legislação não estabelece proibições por si mesmo, é preciso analisar caso a caso."
Estudo independente - Ainda está para ser feito um estudo profundo e independente sobre o impacto do code share para o consumidor em termos de preço de passagens e qualidade de serviço. Do ponto de vista do consumidor, além da suspensão temporária das ofertas, houve uma redução de opções de horários. Só na Ponte Aérea Rio-São Paulo, por exemplo, a freqüência de vôos diária das duas companhias juntas caiu de 66 para 42. Estima-se que o acordo tenha representado uma redução de 30% na oferta no mercado doméstico.
Mas não há dúvida de que, ao menos para as companhias, o acordo melhorou a produtividade em termos de aproveitamento de assentos. No primeiro trimestre de 2003, a ocupação nos vôos da Varig estava em 60%; na TAM, em 51%. Dois anos depois, no primeiro trimestre deste ano, a ocupação nas aeronaves da Varig e da TAM era de 70% e 69%, respectivamente. Em termos de participação de mercado, a TAM entrou no code share com 32% (primeiro trimestre de 2003) e hoje tem 42% (primeiro trimestre de 2005). A Varig, que tinha 28%, hoje tem 32,7%.
A TAM sai do acordo em condições melhores do que a Varig, que por conta de sua crise financeira não tem capital para importar muitas aeronaves e aumentar a oferta neste momento de mercado aquecido. Segundo o Departamento de Aviação Civil, a TAM está ampliando sua malha com nove novas rotas, enquanto a Varig está a abrindo mão de outras oito rotas. Por essas e outras razões, analistas estimam que a Varig vai continuar perdendo participação de mercado e poderá ser ultrapassada pela Gol (cuja participação no trimestre foi de 24,45%) até junho ou julho.