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Acidente Scandia da Vasp PP-SQV em CGH 23.09.1959

Enviado: Ter Out 15, 2013 21:50
por Starliner
Recebi do Douglas Razaboni, que por sua vez recebeu do Ralph Gisbrecht.
Segundo observação do Douglas, neste acidente também pereceu um diretor da EFS – Estrada de Ferro Sorocabana, Sr. Orlando Murgel.
Cabe ressaltar que dei o crédito à ambos, Ralph pela garimpagem e Douglas pelo envio.
Após, o Vito Cedrini fez comentários e adendos e o José Cursio Idem.
Juntei (quase) tudo e aí está...
Irineu.


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Prezados,
O amigo Irineu enviou-me uma notícia de jornal sobre o acidente de um Scandia da Vasp em CGH, aqui estão os detelhes que possuo
O Scandia PP-SQV decolou da então Pista 16 de CGH no início da noite do dia 23.09.1959 efetuando um voo para o SDU.
Nunca chegou-se. a uma conclusão absoluta do motivo, mas foi atribuido a perda do motor direito imediatamente após a decolagem,
vindo infelizmente a falecerem todas as 20 pessoas que encontravam-se a bordo.
O PP-SQV que tinha o nº de construção 90.106 efetuou seu primeiro voo em Nov de 1950 matriculado SE-BSD e foi entregue a SAS e batizado como "Grim Viking". Efetuou uma aterrissagem de barriga em Kiruna ( Suécia) em 09.08.1956 e foi reparado.
Vendido para a Vasp e registrado como PP-SQV tendo sido entregue em Setembro de 1957.

Abraços,

Cedrini

Re: Acidente Scandia da Vasp PP-SQV em CGH 23.09.1959

Enviado: Qua Out 16, 2013 09:08
por José Cursio
Bom dia amigos Forenses.

Acidente com Scandia – PP-SQV – VASP

Fonte – Livro O Rastro da Bruxa.
Comandante Carlos Ari Cesar Germano da Silva


Falha de motor na decolagem,
http://i.imgur.com/0dXjxdu.png" onclick="window.open(this.href);return false;

O Scandia PP-SQV da VASP decolou da pista 16 (atual 17) do Aeroporto de Congonhas às 18h49 do dia 23 de setembro de 1959, uma quarta-feira, iniciando o Vôo da ponte aérea das 18h30. Ao invés de prosseguir subindo em curva á esquerda com rumo ao Rio de Janeiro, porém, o bimotor guinou a direita e começou a perder altura até despencar sobre um bananal, localizado em área pouco habitada do atual Bairro Jabaquara. Nenhum de seus vinte ocupantes sobreviveu. Mal as investigações haviam se iniciado, algumas pessoas, auto-intituladas “especialista em segurança de vôo” afirmavam a imprensa que o comandante Renart da Cunha Borba, confrontado com a perda do motor direito no primeiro segmento da decolagem, teria deixado de executar o procedimento adequado para controlar a emergência, teoria veementemente contestada pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas, que atribuía o acidente a disparo incontrolável da hélice direita. Mais tarde, a investigação oficial atribuiu o acidente à falha do motor direito que levou à perda de altura e colisão com o solo por razões indeterminadas, conclusão que não ajudou a esclarecer a questão, Naquela época, inexistiam os gravadores de vôo, as “famosas caixas pretas”, ferramentas indispensáveis á plena elucidação de acidentes aeronáuticos. Os investigadores dispunham de poucos elementos para reconstituir a seqüência de eventos que conduzira ao desastre. O exame dos destroços raramente era conclusivo, pois normalmente estavam fragmentados e calcinados.

Quando um motor a pistão falha subitamente em vôo, a hélice continua a girar por ação do vento relativo como um grande cata-vento, absorvendo energia e aumentado substancialmente o arrasto. Para que o avião consiga manter-se em vôo nessas circunstâncias é necessário “embandeira a hélice”, isto é fazer com que suas pás girem em torno de seus eixos até ficarem perfiladas com o vento relativo. A hélice, então, imobiliza-se, e o arrasto é praticamente eliminado, Para colocar a hélice em passo bandeira, os pilotos do Scandia devia acionar o interruptor de uma bomba elétrica que enviava óleo sob pressão ao mecanismo de controle de ângulo das pás.

Antes disso, porém, tinha que controlar a guinada provocada pela assimetria de tração, aumentar a potencia do motor bom, reajustar a atitude do avião para mantê-lo voando acima da velocidade mínima de controle monomotor e, por último, mas não menos importante, identificar qual dos motores falhara. O embandeira mento da hélice do motor em pane mão podia demorar, pois o avião não conseguia manter-se voando com uma hélice girando em cata-vento. As ações na cabine tinham que ser rápidas e perfeitamente coordenadas entre o comandante e o co-piloto sob pena de resultados desastrosos. Em situação semelhante, muito aviadores embandeiraram o motor bom em vez do que estava em pane devido à enorme pressão psicológica no momento.

Houve casos, até, cada piloto embandeirou o motor diferente, deixando o avião sem tração. Naquela época, por tanto, uma falha de motor no primeiro segmento da decolagem era emergência grave, de altíssimo risco, que exigia dos pilotos ações precisas e coordenadas, além de boa dose de sorte.

Nicolau Abdo Francis, jornalista e um dos 16 passageiros do PP-SQV, perdera dois irmãos em acidentes com aviões da VASP, que naqueles tempos ocorriam com preocupante freqüência, na sua maioria por falhas de motor na decolagem, o que estava a indicar a existência de problemas graves de manutenção da empresa estatal paulista.

Compunham a tripulação do comandante Renart da Cunha Borba o co-piloto Newton Siqueira, o radiotelegrafista João de Moraes Lacerda e a comissária Maria Amélia Gonçalves.

PP-SQV nas cores da SAS - http://i.imgur.com/ojKQdNx.png" onclick="window.open(this.href);return false;

Abs. Cursio

Re: Acidente Scandia da Vasp PP-SQV em CGH 23.09.1959

Enviado: Qua Out 16, 2013 19:18
por EduardoJoseDias
Segue um link do ACERVO folha, com um acidente do mesmo tipo de aparelho , ocorrido em 31/12/1958.

http://acervo.folha.com.br/fdm/1958/12/31/1/" onclick="window.open(this.href);return false;

Re: Acidente Scandia da Vasp PP-SQV em CGH 23.09.1959

Enviado: Qui Out 17, 2013 11:13
por José Cursio
Bom dia amigos Forenses.

Acidente com Scandia – PP-SQE – VASP

Fonte – Livro O Rastro da Bruxa.
Comandante Carlos Ari Cesar Germano da Silva

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O SAAB 92-A2, Scandia, foi um avião sui generis. Concebido para substituir o Douglas DC-3, não conseguiu espaço no mercado devido á concorrência dos Convair, 240, 340 e 440, mais velozes e pressurizados. Apena 18 chegaram a ser fabricados. Alguns poucos foram inicialmente adquiridos pela Scandinavian Airlines System (SAS), porém, mais tarde, todos os 18 passaram a integrar a frota da VASP. Dois motores radiais Pratt & Whitney R-2180-E1 Twin Wasp, de 1.800HP, impulsionavam hélices Hartzell quadripás. Guarnecidos por quatro tripulantes, transportavam 36 passageiros a 390 quilômetros por hora.

Os Scandia voaram na VASP de 1950 a 1969, quando os últimos sobreviventes, com exceção de um, foram desativados e desmontados. Atualmente, somente o PP-SQR encontra-se preservado, em condições precárias, no museu de Bebedouro, São Paulo.
Os Scandia foram muito empregados na ponte aérea Rio – São Paulo, onde freqüentemente, transportavam políticos, altos executivos e personalidades do mundo artístico.

No dia 30 de dezembro de 1958, uma terça-feira, Rose Rondeli, atriz de teatro e televisão, chegou tarde ao Aeroporto Santos Dumont e quase perdeu á ponte aérea da 12horas, que a levaria para São Paulo para compromissos profissionais, tendo ocupado um dos últimos lugares ainda vagos no Scandia PP-SQE da VASP. Pouco depois, os motores foram acionados e o avião taxiou para a cabeceira da pista 20. Logo após a decolagem, o motor esquerdo perdeu potência e parou, materializando o pesadelo de todo aviador: uma falha no motor no primeiro segmento da decolagem, quando o trem de pouso ainda esta recolhendo.

O Scandia guinou bruscamente à esquerda devido á súbita assimetria de potencia. A grande hélice Hartzell girava por ação do vento relativo, adicionado elevada carga de arrasto e drenando energia do avião. A situação era dramática. O Pão de Açucar aproximava-se rapidamente, obrigando o comandante Bortolleto a efetuar curva à esquerda para cima do motor em pane, o que aumentava o fator de carga e, conseqüentemente, a velocidade de estol. Bortolleto tinha de embandeira logo a hélice que girava em cata – vento, inviabilizando o vôo monomotor, sem descuidar-se da pilotagem do Scandia capenga. Não conseguiu. O PP-SQE tremeu ao perder sustentação, arrancando um “Oh!” uníssono dos passageiros enquanto se precipitava na Baia da Guanabara de uma altura aproximada de 50 metros (150pés)

Ao se ver dentro d’àgua, Rose resolutamente nadou para terra firme. Só mais tarde, a salvo, tomou conhecimento da extensão do desastre. Das 34 pessoas a bordo, 20 haviam perecido inclusive os quatro membros da tripulação: comandante Geraldo Bortolleto, co-piloto Carlos Machado Campoy, radiotelegrafista Marino Quinado de Brito e a comissária. Este foi o primeiro acidente fatal ocorrido com um Scandia da VASP. Infelizmente não seria o último.

Obs. O nome da comissária que não aparece na redação do livro é Ida Kovak

Ainda nas cores da Aerovias Brasil. http://i.imgur.com/jptvNms.png" onclick="window.open(this.href);return false;

Abs. Cursio