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Brasil se prepara para receber "invasão" de turist

Enviado: Seg Abr 18, 2005 22:49
por MARR
Brasil se prepara para receber "invasão" de turistas chineses
Segunda, 18 de Abril de 2005, 14h17
Fonte: Gazeta Mercantil


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Hotéis e agências de viagens investem em serviços especiais para atender a demanda. O setor de turismo brasileiro se prepara para atender um novo campo de negócios: o mercado chinês.

Com o objetivo de diminuir as diferenças culturais e tornar o Brasil um destino mais acolhedor para os novos visitantes, as empresas investem em pesquisa, profissionais fluentes em mandarim e até alimentação específica.

No ano passado, o governo chinês concedeu ao Brasil o Status de Destino Aprovado (SDA). Isto permitirá, pela primeira vez, que o País venda pacotes turísticos na China. Em todo o mundo, apenas 34 países e a União Européia já contam com esse status, considerando que os europeus o receberam também no ano passado.

A liberação dos vistos, porém, depende ainda de vários fatores, como existência de um serviço 0800, em inglês e chinês, para auxiliar chineses que se sintam lesados em seus direitos como consumidores; a publicação oficial, pelo governo brasileiro, de uma lista de agências autorizadas a comercializar pacotes para a China; e a existência de uma malha área mais favorável para os turistas.

Atualmente, as viagens mais rápidas entre China e Brasil são feitas em aproximadamente 28 horas, com escala na Europa (Alemanha, Itália ou França); ou África do Sul, via Hong-Kong.

Para a consolidação do acordo, algumas questões já estão sendo solucionadas. Recentemente, o Ministério do Turismo comunicou que selecionará, através de uma comissão de representantes dos setores público e privado, até 11 de maio, as agências de turismo brasileiras que vão atuar na recepção de grupos de turistas chineses.

O problema da malha aérea, porém, não será resolvido a curto prazo. A Varig já tem autorização do governo brasileiro para voar para a China. A proposta é que a empresa voe até Munique (Alemanha) e de lá a Pequim seja feito um code-share (vôo compartilhado) com a Air China.

A companhia chinesa, inclusive, mantém um funcionário no País para consolidação do projeto, mas segundo a assessoria de imprensa da Varig o vôos só deverão ser iniciados no segundo semestre. Isto porque a negociação de utilização de malha aérea ente os países ainda não foi consolidada.

Trade

Enquanto isso, na prática, hotéis e agências de viagens brasileiros estão otimistas com o novo segmento. De acordo com dados da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico, a expectativa é que, com a entrada em vigor do acordo, o número de turistas chineses salte de 15 mil para 100 mil até 2007. Estes turistas devem trazer divisas de US$ 250 milhões.

Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), 22 milhões de turistas chineses circularam pelo mundo, em 2004. No ano anterior, foram 17 milhões. A promessa é que no ano de 2020 a China se torne o quarto maior emissor de turistas no ranking mundial, com 100 milhões de viajantes.

Com o objetivo de atender as necessidades deste público, a rede Blue Tree Hotels esta utilizando seu know-how com os turistas orientais, principalmente japoneses e coreanos, para montar um projeto de atendimento especial.

Segundo Eloisa Prass, diretora de marketing da empresa, não se trata de saber fazer apenas um café da manhã: "Claro que é importante entendermos que, para o oriental, o arroz no café da manhã é tão importante quanto o pão para o brasileiro, mas é algo mais sutil".

Fatores como a diferença de horário e a distância fazem com que os turistas busquem um ambiente mais acolhedor, principalmente quando se trata do hóspede corporativo. "Os executivos querem ter certeza de que vão encontrar pessoas que falam sua língua e estejam também estão preparados para orientá-los em situações emergenciais, culturais e econômicas."

O gerente da agência Danlon Turismo, Xu Lin, concorda. Há três anos atuando no receptivo de chineses, ele destaca não basta prestar apenas os serviços básicos, como reserva de carros ou restaurantes. "A empresa têm que estar preparada para ser uma ponte entre as corporações chinesas e o mercado nacional", explica.

Dentro de dois meses, o Blue Tree testará um piloto dos novos serviços, como atendentes que falam em mandarim e novidades culinárias, na unidade Blue Tree Conventional Ibirapuera. A meta é que em 2006 o incremento no número de turistas chineses ajude a elevar a participação de orientais de 3% dos hospedes de toda a rede para cerca de 7%.

As redes que, ao contrário do Blue Tree, não têm experiência no mercado oriental, estão começando do zero a tarefa de conhecer este público. O Crowne Plaza São Paulo é um exemplo. De olho neste novo nicho de mercado, o hotel está investindo inicialmente cerca de R$ 50 mil para receber e conquistar os hóspedes asiáticos.

Em 2004, apenas 5% dos estrangeiros recebidos pelo hotel eram chineses. Este ano, com a implantação dos novos serviços, espera-se fechar o ano com cerca de 11% de ocupação com hóspedes chineses.

Para pesquisar o mercado chinês, o hotel enviou um grupo de executivos para Xangai, entre eles Vânia Dezordi, a diretora de marketing. Assim, foi montado um pacote de serviços, que incluem recepcionista fluente em mandarim, canal chinês (CCTV) e inclusão de pratos típicos da China no café da manhã. Oferece ainda a "sopeira de Congee" (espécie de sopa de arroz) e chá verde à disposição nos apartamentos.

O hotel Hilton Morumbi, por outro lado, passou pela experiência de receber a comitiva oficial do presidente chinês, Hu Jintao, no ano passado. "Fomos escolhidos principalmente pela segurança do complexo", diz Luis Perillo, gerente-residente do Hilton.

Isto porque a hotel já recebeu outras personalidade, como o ex- secretário de estado americano, Colin Powell: "São hospedes exigentes mas que também querem conhecer novos aspectos do Brasil, inclusive a comida". A comitiva, porém, não briu mão de seu próprio chefe de cozinha.