Euro Atlantic só quer Varig com controlo da gestão
Enviado: Qua Abr 13, 2005 08:20
Especialistas garantem que uma participação maioritária exige um investimento de 480 milhões de euros.
A Euro Atlantic mantém-se na corrida à compra de 20% da Varig, mas só está na disposição de concretizar o negócio caso lhe seja facultada a gestão da transportadora aérea brasileira.
Tomaz Metello, presidente da empresa nacional, adiantou ao Diário Económico que uma das condições para adquirir a participação é a de “não abdicar da gestão” em quaisquer circunstâncias, mesmo que seja formado um consórcio.
Embora só estejam à venda 20% do capital da Varig, Tomaz Metello considera ser possível assumir o controlo da empresa. A lei brasileira, refira-se, estabelece esta percentagem como o limite máximo de capital estrangeiro numa companhia aérea brasileira. Fontes ligadas a este processo estimam ser necessário aplicar cerca de 480 milhões de euros para conseguir obter o controlo maioritário da Varig.
O presidente da Euro Atlantic escusa-se a revelar se esta avaliação é a correcta, mas afirma que vai “escrever novamente”, até final desta semana, à Fundação Ruben Berta e ao conselho de administração da companhia aérea para saber em que ponto se encontra o processo e questionar as duas entidades no sentido de saber “se querem ou não entregar a gestão da Varig a terceiros”. “Este é o pressuposto número para avançarmos”, reitera o empresário.
Tomaz Metello frisa que “não há ninguém” que queira investir para ficar só com 20% da companhia e garante que a Euro Atlantic já tem “um grande banco internacional disposto a financiar a operação”. Até porque, acrescenta Tomaz Metello, “a Varig é um bom investimento se for bem gerida”. Alberto Fajerman, vice-presidente executivo da Varig, afirmou recentemente ao Semanário Económico que a companhia “está disposta a abrir mão do controlo accionista da empresa, pelo que nada impede que a gestão venha a ser entregue a um investidor português”.
A Euro Atlantic tem, aliás, parcerias com a esta companhia em voos para o Nordeste do Brasil e o Rio de Janeiro, e Tomaz Metello sublinha que em todas elas é a sua empresa que controla as operações.
Questionado sobre o caminho que a Varig tem de percorrer para ser rentável, o presidente da Euro Atlatinc, enfatiza que, antes de mais, é preciso que a transportadora seja objecto de um aumento de capital, destinado a desenvolver “a rede de voos internacionais”. A Varig, sublinhe-se, lidera este segmento de mercado no Brasil com uma quota de 85%.
Tomaz Metello adianta que outra das prioridades é a de que companhia tenha uma “frota uniforme” – o que não sucede actualmente –, a qual lhe permita reduzir os custos ao nível da manutenção e das próprias tripulações. No mesmo contexto de racionalização, o empresário português defende ainda a necessidade de se implementar uma política de diminuição da factura dos recursos humanos nas contas da companhia.
Além da Euro Atlantic, são dados como interessados na Varig os empresários Nelson Tanure (proprietário do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil), German Efromovich (dono das transportadoras Avianca e Ocean Air) e a companhia aérea brasileira Gol.
O universo da FRB
A Fundação Ruben Berta (FRB) é a proprietária de um conglomerado de empresas que têm como tronco principal a Varig
Para o efeito, a Fundação criou a FRB-Par, a qual tem três ‘holdings’. A Varig S/A (Viação Aérea Rio-Grandense) que controla a Varilog, a Pluna e a Vem; a Varig Participações em Transportes Aéreos (VPTA), que gere a Riosul e a Nordeste; e a Varig Participações em Serviços Complementares (VPSC), que controla a Sata, Rede Tropical Hotels, Resorts Brasil e Amadeus Brasil
As três transportadoras oferecem ligações a 70 cidades do Brasil
O grupo FRB-Par controla, no total, 14 empresas
A escolha da proposta vencedora para a compra de 20% da transportadora feita pelos curadores da FRB tem ainda de ser validada pelo colégio deliberativo da Fundação, constituído por 165 membros, entre os quais funcionários da Varig.
Mercado externo é o primeiro alvo
A Euro Atlantic aposta cada vez mais no mercado externo, face ao excesso de oferta que existe a nível doméstico no segmento dos ‘charter’, onde a companhia tem o seu principal negócio.
Neste sentido, Tomaz Metello, garante que a dependência da Euro Atlantic em relação a Portugal tem vindo a diminuir progressivamente, rondando agora 12% da facturação. Em 2004, a companhia teve uma receita de 80 milhões de euros e, este ano, Tomaz Metello aponta para um crescimento de 30% da facturação, devido em grande parte à extensão do acordo comercial com a Varig.
Desde final do mês de Março, a Euro Atlantic disponibiliza, em parceria com a companhia aérea brasileira, três voos semanais para o Rio de Janeiro, uma operação de risco partilhado entre as duas empresas.
A empresa de Tomaz Metello possui, neste momento, uma frota de oito aviões, um dos quais se encontra ao serviço da transportadora brasileira BRA, a qual trabalha com a operadora turística Sonhando, na qual a Euro Atlantic também tem uma participação.
A Euro Atlantic, criada em 1993, tem um capital social de cinco milhões de euros, sendo expectável um aumento do mesmo, ainda sem data nem percentagem definidas.
A empresa tem o seu controlo accionista repartido pela família Metello, a Quanlux e a Anglotel, os quais possuem, respectivamente, 17,milhões, 2,2 milhões e 498 euros do capital social.
Varig já perdeu liderança para a TAM
O processo de alienação de 20% do capital da Varig arrasta-se há mais de um ano, e a companhia acumula uma dívida calculada em dois mil milhões de euros, a maior parte da qual ao Governo Federal.
A Fundação Ruben Berta (FRB), que detém a companhia, tem protelado uma decisão, e de acordo com o jornal Folha de São Paulo, isso fica-se a dever à existência de divergências entre os curadores da FRB e a administração da Varig no que se refere à avaliação das propostas de aquisição já apresentadas.
O site da companhia, que faz parte da Star Alliance afirma que “a Varig é a maior empresa de transporte aéreo da América Latina e, unida à Rio Sul do Nordeste, mobiliza 115 aviões para oferecer a maior e mais diversificada rede de linhas aéreas de todo o país”.
Apesar desta oferta, o facto é que a Varig não tem a liderança do mercado doméstico. Dados fornecidos pelo Departamento de Aviação Civil, o órgão regulador do sector no Brasil, mostram que a Varig perdeu a liderança neste segmento de mercado, detendo actualmente uma quota de 31%, contra os 42% detidos pela TAM (Táxi Aéreo Marília). A Varig é membro da Star Alliance desde 1997, e curiosamente foi o actual administrador delegado da TAP, Fernando Pinto – o mesmo que agora colocou a transportadora aérea nacional nesta aliança –, a liderar o processo de adesão da companhia brasileira. A transportadora tem uma frota de 115 aviões e voa directamente para 24 cidades de vários países.
in Diário Económico-Portugal
A Euro Atlantic mantém-se na corrida à compra de 20% da Varig, mas só está na disposição de concretizar o negócio caso lhe seja facultada a gestão da transportadora aérea brasileira.
Tomaz Metello, presidente da empresa nacional, adiantou ao Diário Económico que uma das condições para adquirir a participação é a de “não abdicar da gestão” em quaisquer circunstâncias, mesmo que seja formado um consórcio.
Embora só estejam à venda 20% do capital da Varig, Tomaz Metello considera ser possível assumir o controlo da empresa. A lei brasileira, refira-se, estabelece esta percentagem como o limite máximo de capital estrangeiro numa companhia aérea brasileira. Fontes ligadas a este processo estimam ser necessário aplicar cerca de 480 milhões de euros para conseguir obter o controlo maioritário da Varig.
O presidente da Euro Atlantic escusa-se a revelar se esta avaliação é a correcta, mas afirma que vai “escrever novamente”, até final desta semana, à Fundação Ruben Berta e ao conselho de administração da companhia aérea para saber em que ponto se encontra o processo e questionar as duas entidades no sentido de saber “se querem ou não entregar a gestão da Varig a terceiros”. “Este é o pressuposto número para avançarmos”, reitera o empresário.
Tomaz Metello frisa que “não há ninguém” que queira investir para ficar só com 20% da companhia e garante que a Euro Atlantic já tem “um grande banco internacional disposto a financiar a operação”. Até porque, acrescenta Tomaz Metello, “a Varig é um bom investimento se for bem gerida”. Alberto Fajerman, vice-presidente executivo da Varig, afirmou recentemente ao Semanário Económico que a companhia “está disposta a abrir mão do controlo accionista da empresa, pelo que nada impede que a gestão venha a ser entregue a um investidor português”.
A Euro Atlantic tem, aliás, parcerias com a esta companhia em voos para o Nordeste do Brasil e o Rio de Janeiro, e Tomaz Metello sublinha que em todas elas é a sua empresa que controla as operações.
Questionado sobre o caminho que a Varig tem de percorrer para ser rentável, o presidente da Euro Atlatinc, enfatiza que, antes de mais, é preciso que a transportadora seja objecto de um aumento de capital, destinado a desenvolver “a rede de voos internacionais”. A Varig, sublinhe-se, lidera este segmento de mercado no Brasil com uma quota de 85%.
Tomaz Metello adianta que outra das prioridades é a de que companhia tenha uma “frota uniforme” – o que não sucede actualmente –, a qual lhe permita reduzir os custos ao nível da manutenção e das próprias tripulações. No mesmo contexto de racionalização, o empresário português defende ainda a necessidade de se implementar uma política de diminuição da factura dos recursos humanos nas contas da companhia.
Além da Euro Atlantic, são dados como interessados na Varig os empresários Nelson Tanure (proprietário do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil), German Efromovich (dono das transportadoras Avianca e Ocean Air) e a companhia aérea brasileira Gol.
O universo da FRB
A Fundação Ruben Berta (FRB) é a proprietária de um conglomerado de empresas que têm como tronco principal a Varig
Para o efeito, a Fundação criou a FRB-Par, a qual tem três ‘holdings’. A Varig S/A (Viação Aérea Rio-Grandense) que controla a Varilog, a Pluna e a Vem; a Varig Participações em Transportes Aéreos (VPTA), que gere a Riosul e a Nordeste; e a Varig Participações em Serviços Complementares (VPSC), que controla a Sata, Rede Tropical Hotels, Resorts Brasil e Amadeus Brasil
As três transportadoras oferecem ligações a 70 cidades do Brasil
O grupo FRB-Par controla, no total, 14 empresas
A escolha da proposta vencedora para a compra de 20% da transportadora feita pelos curadores da FRB tem ainda de ser validada pelo colégio deliberativo da Fundação, constituído por 165 membros, entre os quais funcionários da Varig.
Mercado externo é o primeiro alvo
A Euro Atlantic aposta cada vez mais no mercado externo, face ao excesso de oferta que existe a nível doméstico no segmento dos ‘charter’, onde a companhia tem o seu principal negócio.
Neste sentido, Tomaz Metello, garante que a dependência da Euro Atlantic em relação a Portugal tem vindo a diminuir progressivamente, rondando agora 12% da facturação. Em 2004, a companhia teve uma receita de 80 milhões de euros e, este ano, Tomaz Metello aponta para um crescimento de 30% da facturação, devido em grande parte à extensão do acordo comercial com a Varig.
Desde final do mês de Março, a Euro Atlantic disponibiliza, em parceria com a companhia aérea brasileira, três voos semanais para o Rio de Janeiro, uma operação de risco partilhado entre as duas empresas.
A empresa de Tomaz Metello possui, neste momento, uma frota de oito aviões, um dos quais se encontra ao serviço da transportadora brasileira BRA, a qual trabalha com a operadora turística Sonhando, na qual a Euro Atlantic também tem uma participação.
A Euro Atlantic, criada em 1993, tem um capital social de cinco milhões de euros, sendo expectável um aumento do mesmo, ainda sem data nem percentagem definidas.
A empresa tem o seu controlo accionista repartido pela família Metello, a Quanlux e a Anglotel, os quais possuem, respectivamente, 17,milhões, 2,2 milhões e 498 euros do capital social.
Varig já perdeu liderança para a TAM
O processo de alienação de 20% do capital da Varig arrasta-se há mais de um ano, e a companhia acumula uma dívida calculada em dois mil milhões de euros, a maior parte da qual ao Governo Federal.
A Fundação Ruben Berta (FRB), que detém a companhia, tem protelado uma decisão, e de acordo com o jornal Folha de São Paulo, isso fica-se a dever à existência de divergências entre os curadores da FRB e a administração da Varig no que se refere à avaliação das propostas de aquisição já apresentadas.
O site da companhia, que faz parte da Star Alliance afirma que “a Varig é a maior empresa de transporte aéreo da América Latina e, unida à Rio Sul do Nordeste, mobiliza 115 aviões para oferecer a maior e mais diversificada rede de linhas aéreas de todo o país”.
Apesar desta oferta, o facto é que a Varig não tem a liderança do mercado doméstico. Dados fornecidos pelo Departamento de Aviação Civil, o órgão regulador do sector no Brasil, mostram que a Varig perdeu a liderança neste segmento de mercado, detendo actualmente uma quota de 31%, contra os 42% detidos pela TAM (Táxi Aéreo Marília). A Varig é membro da Star Alliance desde 1997, e curiosamente foi o actual administrador delegado da TAP, Fernando Pinto – o mesmo que agora colocou a transportadora aérea nacional nesta aliança –, a liderar o processo de adesão da companhia brasileira. A transportadora tem uma frota de 115 aviões e voa directamente para 24 cidades de vários países.
in Diário Económico-Portugal