O texto é longo mais muito interessante:
Um raio derrubou o Boeing no Caribe ?
Um Boeing 737-700 da companhia Aires, procedente de Bogotá, que levava 131 pessoas a bordo (125 passageiros e seis tripulantes), caiu e se despedaçou na pista ontem ao tentar aterrissar no aeroporto da ilha de San Andrés (SKSP), um dos principais pontos turísticos do Caribe colombiano.
Ao chocar-se com a pista na aterrissagem, o avião perdeu os motores e se partiu ao meio. Ao menos 114 pessoas ficaram feridas, cinco delas com gravidade, entre elas duas crianças.
Um passageiro morreu, uma mulher identificada como Amar Fernández, 73 anos, que sofreu parada cardíaca. No avião havia quatro brasileiros que saíram ilesos: Ramiro Alves Branco Lobo de Almeida e Catherine Silva Lobo, fluminenses de Volta Redonda (RJ), e Tiago Cavalcanti e Caroline Gonçalves, naturais de Porto Alegre. Os dois homens são militares e servem no 8º Batalhão de Infantaria de Tabatinga, no Amazonas.
A região onde se produziu o acidente registrava forte instabilidade no momento em que ocorreu a queda, mas imagens de satélite de uma hora depois do desastre mostravam que as nuvens mais carregadas estavam ao Sul da Ilha de San Andrés e não sobre o aeroporto.
Assim, é muito provável que as más condições meteorológicas encontradas no momento da aproximação tenham se originado de uma célula convectiva isolada, afinal sequer os metares (boletins) do aeroporto acusavam tempestade no aeródromo, mas sim nuvens de maior desenvolvimento vertical isoladas (TCu) capazes de provocar chuva e vento forte, além de raios, especialmente sob uma atmosfera muito aquecida e úmida

A carta SIGWX de previsão emitida pelo Centro de Washington (WAFC) para a região das Américas sequer indicava forte instabilidade na área de San Andreas no momento do acidente, reforçando a idéia do que ocorreu em termos de tempo severo na ilha como localizado.

Não se pode dizer que o Aeroporto de San Andrés seja pouco seguro ou desaparelhado, afinal conta com DVOR-DME, além de RNAV (aproximação com GPS), para ambas as pistas, que permitem às aeronaves que estão dentro do seu raio de ação localizar o aeroporto e ainda garantindo informações da distância e da inclinação das aeronaves em relação a um ponto de referência em solo. E para a pista 6 do aeroporto ainda existia rádio-farol não direcional (NDB). O aeroporto, contudo, não possui radar Dopller, comuns nos Estados Unidos, capazes de detectar eventos de microburst.

Devido ao avanço da tecnologia, acidentes envolvendo descargas hoje em dia são por demais raros. Raios podem produzir danos na fuselagem, danificar sistemas de comunicações e eletrônicos, ou remotamente, causar uma explosão. Os aviões, contudo, contam hoje com vários recursos de proteção. A fuselagem das aeronaves ajuda a conduzir eletricidade e os combustíveis emitem menos vapores que antigamente. Estima-se que cada aeronave comercial dos Estados Unidos seja atingida ao menos por um raio por ano. O mesmo ocorre ao redor do mundo sem que nada aconteça de catastrófico.

Na década de 80, numa pesquisa de oito anos denominada Storm Hazards Research Program e que foi decisiva para aumentar a segurança de voo, a NASA usou um jato F-106B que entrou 1.496 tempestades, sendo atingido por raios 714 vezes. Para o piloto Bruce Fisher (na foto abaixo dentro da cabine do jato sendo atingido por um raio), "os raios eram a parte divertida da missão". Segundo ele, "o difícil era a turbulência porque tempestades têm fortes movimentos descendentes e ascendentes de vento".

Um raio pode provocar breve desorientação do pessoal de cabine, mas por si só não creio que tenha sido a causa do acidente de ontem, acreditando que outros fatores podem ter entrado em cena como correntes de vento descedentes e violentas (downdraft ou downburst) que costumam acompanhar temporais ou mesmo o que se chama de tesoura de vento (windshear), o que é um perigo para a aviação no momento crítico do pouso.

O último acidente da aviação comercial dos Estados Unidos causado por um raio ocorreu em 8 de dezembro de 1963, quando uma descarga provocou a explosão do tanque de combustível de um Boeing da Pan Am, matando 81 pessoas. Várias medidas de segurança foram adotadas após a tragédia, dentre elas a adoção de aditivos para reduzir vapores do combustível.
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