Amigos, bom dia.
Este é um documentário sobre a aviação em Angola, realizado pela TV5 de France. Tenho ele completo, mostrando as ops. dos 727 e C130 nas minas de diamantes pelo interior do país.
Os 727 são "tanqueiros" que levam combustível para geradores nas minas de Saurimo. O filho de um dos pilotos do 727 da Gemini (que tembém operou nesta pista) é usuário ativo do AeroFórum na seção Angola.
Detalhe mais interessante é que os 727 operavam noturno nessas pistas... muito escutei em HF eles decolando e pousando de Saurimo, Lucapa e outras minas...
Tenho o vídeo que baixei completo com mais de 1:30 no e-mule, o qual levei quase dois meses "garimpando" fontes para baixá-lo. O único problema, além da imagem não ser muito boa, é que o vídeo é todo dublado em frances, sobre as falas em português dos pilotos.
Abaixo vou colocar um texto que escrevi há bastante tempo, e estava na seção Angola do AeroEntusiasta, que em breve estará reativada. O artigo é de 2003, portanto está desatualizado e com erros, mas o resumo é isso.
Na sequência coloco três imagens que recebi de contatos que voaram por lá, e por motivos pessoais, um deles solicitou que não colocasse seu nome nos créditos das imagens.
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Por: Fábio Luís Fonseca
Situada na região sudoeste do continente africano e com aproximadamente 11 milhões de habitantes a Angola é um dos países com a população mais pobre do mundo, ao contrário de suas terras que escondem grandes riquezas como, petróleo e diamantes. O motivo desta pobreza é que desde a sua independência de Portugal em 1975 o país vive dividido em facções políticas que disputam o poder a qualquer preço, ora nas urnas, ora nas armas. Quem paga alto por esta instabilidade política é o povo, que vive em um país destroçado, com serviços sociais falidos e infra-estrutura destruída. Para dirigir-se ao interior do país, por exemplo, os caminhoneiros que transportam cargas organizam-se em comboios escoltados por tropas militares, o que nem sempre é o suficiente pois diversos bandos de guerrilheiros se espalham ao longo das poucas estradas em condições de tráfego para roubar e matar. Devido a isto o rádio desempenha um papel importantíssimo como meio de transmissão de informações, porque o país não dispõem de telefonia à distância e nem sistemas de transmissão de dados de forma efetiva. Hoje na Angola o avião é o principal meio de transporte para o interior do país, eles levam além de passageiros, tudo que se possa imaginar, e que couber nas aeronaves, como por exemplo: alimentos, medicamentos, combustíveis, materiais para minas de diamantes, os próprios diamantes, equipamentos de construção civil, além é claro de soldados e seus armamentos.
Existem inúmeras companhias aéreas pequenas e desconhecidas que realizam somente vôos domésticos de cargas e passageiros, como a Alada (RAD), a Air Cassai (RCI), a Tropical (TPB), a Asa Pesada (API), a Von Haaf Air (VHA), a Khors Aviation (KHO), entre outras. Estas empresas, em sua maioria, utilizam aeronaves de procedência russa, sem pintura ou logomarcas próprias e que quase sempre voam com as cores de seu antigo operador ou totalmente brancas com as fuselagens enegrecidas pelo desgaste do tempo e do pó. Outras companhias que merecem destaques são: a Angola Air Charter (AGO) pertencente ao grupo TAAG e especializada em cargas, a Sonangol (ou Sonair) afiliada da empresa nacional de extração de petróleo de mesmo nome e a Transafrik (TRF) empresa que opera vôos cargueiros regulares para o interior do país. Curiosamente a Transafrik tem sua sede administrativa dividida entre a Angola e São Tomé e Príncipe, onde todas as suas aeronaves são registradas. Também existem dezenas de aeronaves de entidades civis que prestam serviços humanitários no país e não são vinculadas a nenhuma companhia aérea.
Nos aeroportos angolanos as matrículas, ou prefixos, pintados nas fuselagens dos aviões que indicam o país no qual o avião foi registrado, são das mais variadas nacionalidades possíveis. Antes de mais nada vale ressaltar que conforme normatização internacional a Angola tem o indicativo "D2-", seguido de três letras, como seu designador, entretanto muitas empresas aéreas angolanas não nacionalizam as aeronaves devido ao custo financeiro e ao pouco tempo que as mesmas permanecerão na frota da companhia. Com isto durante as escutas é possível ouvir aeronaves matriculadas em diversos locais do planeta como por exemplo o EL-ALE (Antonov-8 da VHA, matriculado na Libéria), TL-ACR (Antonov-12 registrado na República Centro Africana), ER-ACH (um Antonov-12 da API nacionalizado na Moldávia), P-ANB (Antonov-12 com prefixo da Coréia do Norte), e outros. Até mesmo um prefixo que não é cadastrado pelo órgão que organiza e distribui mundialmente a alocação de matrículas foi escutado, o TW-WSI com nacionalidade desconhecida, ou fictício.
Como citado anteriormente, as aeronaves que sobrevoam o planalto angolano são dos mais diversos recantos do planeta, e vão desde aviões fabricados no ocidente, como os monomotores Cessna C-208 Caravan e os trijatos Boeing 727-100 cargueiros (ainda operando no Brasil pela Varig Cargo) até os cargueiros soviéticos da época da guerra fria, como os Antonov’s de diversos modelos -8, -12, -24, -26 e -32. Estas aeronaves são arrendadas, já com os pilotos e mecânicos, principalmente de repúblicas separatistas da ex-URSS como Rússia, Ukrania, Kazaktstão, entre outras, a preços de ocasião. Para ter-se uma idéia das aves raras que voam nos céus angolanos, o Antonov AN-8 que é um bimotor turboélice robusto, projetado na década de 50 que sofre algumas restrições devido a falta de peças de reposição no mercado mundial e seus motores após quase cinco décadas, já não demonstram mais confiabilidade.
Para organizar o espaço aéreo angolano existem aerovias domésticas (rotas pré-definidas em mapas aeronáuticos) interligando os principais aeroportos do país. Estão espalhados pelo solo angolano diversos rádio-auxílios à navegação aérea como NDB’s e VOR’s (rádios transmissores em que emitem sinais eletrônicos em LW e VHF, e que são captados por instrumentos específicos no painel do aviões), porém os mapas aeronáuticos deixam bem claro que nem sempre estes auxílios estão em funcionamento ou calibrados e portanto não são confiáveis para a navegação devendo o piloto checar com os órgãos competentes antes da decolagem. Freqüências de VHF e principalmente HF são utilizadas para comunicação entre os controladores de tráfego aéreo e os pilotos. Os vôos que partem de qualquer ponto do país são informados aos aeroportos de destino via rádio, basicamente em duas freqüências, 8888,0 khz e 6884,0 khz (freqüências regionais) destinadas a organização do tráfego aéreo nacional. Já os pilotos que sobrevoam o espaço aéreo angolano em vôos internacionais (como por exemplo da África do Sul para a Europa) e em vôos nacionais, deverão informar suas posições durante a rota aos operadores da Rádio Luanda nas freqüências 8903,0khz e 5493,0khz (freqüências continentais), que são destinadas ao controle efetivo dos vôos com abrangência continental, entretanto como alternativa poderão ser utilizadas as freqüências descritas anteriormente, 8888,0 khz e 6884,0 khz.
Os horários que a propagação permite a escuta deste inóspito tráfego aéreo é de aproximadamente 19:00UTC às 08:00UTC, com algumas variações sazonais, é claro. Em função da minha experiência, acredito que o melhor horário para a escuta é entre às 05:00UTC e 08:00UTC (ou até o limite da propagação), devido ao fuso horário de Angola em relação ao UTC ser de +1 hora. Logo aos primeiros raios de sol, os contatos rádio se intensificam, devido as decolagens dos vôos que tem como destino aeroportos que não operam durante a noite, por falta de iluminação artificial. Com isto é possível captar vários vôos partindo de Luanda para inúmeros destinos como: Cafunfo, Luzamba, Saurimo, Luena, Dundo, Namibe, Catumbela, Lobito, Soyo, Ngiva, Lucapa, N'zagi, Malanje e Cabinda (uma província de Angola fora do seu território, separada pela República Democrática do Congo) e muitas outras. Todas estas localidades citadas possuem rádios HF, porém seus transmissores não emitem grandes potências e o sinal é bastante fraco, porém em certas épocas do ano é possível se escutar algumas estações do interior.
Na Angola as operações são realizadas em aeroportos com pistas de pouso dos mais variados tamanhos e tipos de pavimentos, sendo e alguns ainda podem esconder em seus arredores artilharias anti-aéreas que já abateram e danificaram diversos aviões civis. Um procedimento muito utilizado por pilotos que voam para locais em conflito e vital para que o vôo chegue ao seu destino com segurança, é manter-se em nível de vôo de cruzeiro até a vertical do aeródromo de destino, sendo então iniciada a decida em órbita, sem afastar-se muito da região do aeroporto, que normalmente é guarnecida por tropas militares amigas. Procedimentos sobre o mar também são previstos para aeronaves que tem como destinos cidades litorâneas. Para citar outro exemplo insólito: as operações de aeronaves do tipo Boeing 727-100 das empresas Sonangol ou Transafrik, que configurados como aviões-tanque, transportam combustível para suprir as minas de diamantes que existem na província da Lunda Norte. No aeródromo de Lucapa, construído para apoio logístico as minas diamantíferas, estas aeronaves operam em uma pista de terra com extensão limitada e a uma altitude de 2.500 pés (762 metros), os vôos ocorrem tanto de dia, como a noite, pois esta é uma das únicas pistas de terra balizadas para operações noturnas. O Boeing 727 tem seu peso vazio estimado em 36 toneladas e pode transportar até 40 toneladas de carga, sendo que sua velocidade média na aproximação final para pouso é de aproximadamente 135 nós (ou 250 km/h). Com isto pode-se ter uma noção das dificuldades que as tripulações tem para segurar estas máquinas, fabricadas no final da década de 60 (média de idade dos quatro Boeing's 727 da Transafrik) em uma pista de terra, ou lama conforme a meteorologia presente na hora do vôo.
A guerra tráz ao país outras ameaças a segurança dos vôos, como as diversas aeronaves que realizam dezenas de vôos clandestinos no espaço aéreo angolano, anualmente. Operados por mercenários os vôos são contratados para o abastecer os frontes de batalha, transportando homens, armas, combustíveis, etc., eles decolam de diversos países com destino a Angola, sem nenhum contato rádio ou conhecimento dos órgãos de controle de tráfego aéreo. Estas aeronaves pousam e decolam de vários aeroportos no interior do país sem serem descobertas, pois não existe cobertura radar de vigilância do espaço aéreo angolano.
A ONU realiza no país o PAM (Programa de Alimentação Mundial) que distribui alimentos para diversas localidades, onde concentram-se enormes quantidades de pessoas refugiadas da guerra. Para levar um pouco de esperança aos refugiados, milhares de quilos de alimentos são transportados em aeronaves fretadas de diversas companhias aéreas, sempre com alguma identificação externa pintada na fuselagem, além do código de chamada no rádio: "NAÇÕES UNIDAS" , "UNITED NATIONS" ou simplesmente "UN". As aeronaves mais utilizadas pela ONU são do tipo C-130 Hércules (quadrimotor turboélice), e também Boeings 727 de empresas como Transafrik e Gemini Air Cargo. Fatos tristes ocorreram com alguns vôos humanitários da ONU, que normalmente operam em localidades que estão cercadas por combates e o único meio destes alimentos chegarem é por via aérea. Somente nos meses de Dezembro de 1998 e janeiro de 1999 dois C-130 da Transafrik fretados pela UN foram abatidos por mísseis anti-aéreos quando estavam em procedimentos de subida após decolarem do aeroporto regional do Huambo. Estes são somente dois exemplos, porém existem muitas histórias semelhantes, algumas com finais menos trágicos, nas quais os pilotos trouxeram suas máquinas avariadas com segurança até o solo, salvando as vidas de pessoas que tentam levar esperança de vidas a milhares de famintos.
Pistas de pouso pequenas e não asfaltadas, aeronaves antigas, falta de manutenção adequada, condições de operação extremas, transporte de cargas irregulares, artilharias anti-aéreas, aeronaves sem contato rádio, excesso de horas de vôo e tripulações psicologicamente alteradas são alguns fatores que tornam a Angola um dos países recordistas em acidentes aéreos.
Certamente o governo, os países ricos e a ONU poderiam fazer mais pela população angolana que tem sofrido muito nos últimos anos. Sempre que um vôo chega ou parte com segurança de alguma localidade do país e na fuselagem estão estampadas letras "UN", pode-se ter a certeza que aquele avião e aquela tripulação foram muito, mas muito esperados por milhares de pessoas necessitadas (de alimentos, de amor, de esperança). Certamente não há melhor remuneração no mundo para estes tripulantes do que ver seu dever cumprido, e milhares de vidas salvas por suas mãos corajosas. Voar na África, principalmente na Angola, é uma verdadeira aventura e você pode acompanhar tudo isto em sua casa ao sintonizar estas freqüências no seu receptor: 8888,0 khz, 6884,0 khz, 8903,0 khz e 5493,0 khz.
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