História > Saudades dos Electras
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José Cursio
- AeroConselho
- Mensagens: 7901
- Registrado em: Qua Ago 02, 2006 14:21
- Localização: São Paulo
História > Saudades dos Electras
Boa noite amigos do Fórum.
Prezados amigos:
Permitam tomar um pouco de seu tempo.
Desde o final da década de 70 (mais precisamente 1977), quando passei de empregado a empregador, tive a oportunidade de viajar mais de avião, visto que em meu ramo de trabalho, os maiores fornecedores eram baseados na cidade do Rio de Janeiro. Isto me proporcionou a possibilidade de fazer vários vôos na ponte aérea entre 1978 - 1989, o que me deu o privilégio e o prazer de voar muitas vezes nos fabulosos Electra II, da Varig, que deixaram muitas saudades nos usuários da ponte. Na primeira vez em que fui ao Rio pela ponte aérea, por coincidência fui e voltei na mesma aeronave - PP-VJW. Como procurava sair sempre nos primeiros horários, invariavelmente eram os vôos VP 601 ou RG 603, no retorno - quando terminava a minha missão - chegava ao SDU e o primeiro vôo em disponibilidade eu voltava; quando necessitava de ir a Caxias, em uma indústria de ferramentas para o ramo de relojoaria, viajava para o GIG. Essas idas e vindas, me proporcionaram a possibilidade de voar em quase todos os Electras da RG. Recordo porém, que nunca viajei em algumas aeronaves, a exemplo do PP-VLB, PP-VNJ, VNK. Outro detalhe é que sempre gostei de viajar na parte traseira dos aviões seja o tipo que for, obviamente sempre em que tenha lugares disponíveis. Um vez viajando no PP-VLA - que a exemplo do VLB - só tinha uma porta, visto que os mesmos eram cargueiros e foram convertidos para passageiros; resolvi viajar na parte dianteira. O ruído dos motores me importunaram bastante...Esta foi à única vez em que voei na parte da frente.
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Bem algumas curiosidades sobre este Fabuloso avião.Obviamente são dados extraídos de Revistas da época, a qual contavam as qualidades deste notável avião.
=================================================================
Revista FLAP Internacional, edição especial sobre Turbo-hélice.
Texto de Mario B. Vinagre.
Nos quase 30 anos que operaram no Brasil, dos quais por 16 reinaram absolutos na ponte aérea, os Electra não tiveram um acidente fatal sequer e atingiram a invejável posição de segundo aparelho de maior longevidade na aviação comercial brasileira, suplantado apenas pelo lendário Douglas DC-3. (Obs. não se questionou o uso dos B. 737, varias versões)
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GÊNESE
O Lockheed L-188 Electra surgiu da necessidade que algumas empresas aéreas tinham de atender rotas de curtas e médias distâncias, nas quais os jatos puros eram antieconômicos, e também para substituir modelos a pistão mais lentos e fazer frente ao Vickers Viscount, quadrimotor turboélice inglês que estava obtendo grande sucesso de vendas e havia sido escolhido por algumas transportadoras americanas. As especificações originais do Electra foram geradas inicialmente pela American Airlines, em 1954, e refinadas no ano sguinte por essa mesma companhia e pela Eastern Airlines, que precisava também de um avião similar para atender à sua rede de rotas. O projeto da Lockheed em resposta a essas especificações previa uma aeronave tracionada por quatro motores turboélice Allison 501 de 3.750 SHP, similares aos utilizados no C-130 Hercules, que então estava entrando em produção, e capaz de transportar entre 85 e 90 passageiros a uma veloidade de cruzeiro de mais de 600 km/h, com alcance superior a 4.000 km. E. 8 de junho de 1955, a American Airlines fez a ecomenda inicial que lançou o programa, ao comprar 35 desses aviões, batizados pela Lockheed como L-188 Electra. Àquela encomenda inicial, seguiu-se em 27 de setembro de 1955 uma da Eastern Airlines, para 40 aviões. Um mês depois era iniciada a construção do primeiro dos quatro protótipos que iriam participar do programa de ensaios e homologação do novo modelo. Nos dois anos seguintes, o crescente interesse despertado pelo avião fez com que a Lockheed registrasse vária novas encomendas. À época em que ficou pronto o primeiro protótipo no final de 1957, a carteira de pedidos do Electra já somava 129 encomendas de seis empresas aéreas americanas( American, Braniff, Eastern, National, Pacific Southweest e Western), alem de três estrangeiras ( KLM, da Holanda, a primeira do exterior a encomendá-lo; Garuda, da Indonésia; e Cathay Pacific, de Hong Kong). O primeiro protótipo do Electra, matriculado (N 1881), realizou seu primeiro vôo em 6 de dezembro de 1957, a partir das instalações da Lockheed em Burbank, na Califórnia,. tendo aos seus comandos o piloto de provas chefe da companhia, Herman Fish Salmon. O vôo terminou sem maiores problemas em Palmdale, onde seria centralizado todo o programa de ensaios do Electra. Em rápida sucessão juntaran-se a ele, durante 1958, os outros três protótipos: o segundo (N 1882) em fevereiro, o quarto (N 1884) em abril e o terceiro (N 1883) em agosto. Com isso, o programa de ensaios e certificação entrou em ritmo acelerado e, em 22 de agosto do mesmo ano, a Lockheed recebia da Civil Aviation Agency, hoje Federal Avation Administration (FAA), o certificado de homologação de tipo para o Electra, atestando que o novo turboélice estav apto a entrar em operação comercial no transporte de passageiros. Homologado o novo avião, começaram as esteregas. A Eastern, em 8 de outubro de 1958, seguida da American Airlines, que recebeu seu primeiro aparelho quatro dias depois. A primeira empresa a introduzi-lo em serviço foi também a Eastern, em 12 de janeiro de 1959, na rota Nova York/Miami, em seguida em 23 do mesmo mês pela American Airlines, no trecho Nova York/Chicago. Conforme aumentava a experiência operacional com o Electra, a Lochkeed recebia novas encomendas de clientes, tais como a Northwest, dos Estados Unidos, e a Ansett, a Qantas e a Trans Austrália Airlines, todas da Austrália. As vendas do aparelho, todavia, não estavam alcançando as expectativas. Como resultado, a cadência de produção era relativamente pequena o que aumentava os custos industriais do programa e, por conseguinte, o seu ponto de equilíbrio financeiro. Inicialmente calculado em 190, ele já pulara para 215 aviões. Infelizmente para a Lochkeed, esse quadro foi piorado por dois acidentes fatais causados por falha estrutural em vôo, ocorridos em setembro de 1959 e em março de 1960, envolvendo aviões de propriedade da Braniff e da Northwest Airlines. Em que pese o clamor da opinião publica para que os Electras fosse retirado de serviço, a FAA decidiu apenas impor uma restrição de velocidade aos aviões em operação, quie não poderiam voar a mais de 418 km/h. Essa decisão baseava-se na suposição de que as cargas aerodinâmicas menores, no vôo mais lnto, evitariam outros acidentes até que se apurassem as causa dos dois mencionados. Após meses de investigações, descobriu-se que ambos haviam sido causados por um fenômeno chamado de whirl mode, ocasionado pelo balanço dos motores nos seus montantes quando perturbados, por exemplo, por uma sacudidela por turbulência.
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Outras curiosidades, obviamente vou enviar parte de uma reportagem com mais de 16 paginas, e há reportagem também em outras revista isso daria um texto muito grande, mas vamos algumas das curiosidades.
1ª) O primeiro Electra II a chegar ao Brasil foi o PP-VJM, em 02 de setembro de 1962, depois de um vôo de traslado de três dias, tripulado pelos comandantes Plato e Moscoso, e os engenheiros de vôo Arterio e Klein, que o trasladaram desde a base da American, em Tulsa, no Oklahoma, até o aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O vôo tinha escala prevista em Miami e Port of Spain. Após a decolagem de Miami, houve uma falha total no sistema estático da aeronave, que teve que retornar àquele aeroporto após alijar todo o combustível. Sanado o problema, o PP-VJM decolou para cumprir a etapa final do traslado- o trecho Port of Spain/Congonhas, que teve a duração de 7 horas e 48 minutos, um recorde para a época.
2ª) O vôo inaugural do Electra foi realizado pelo mesmo PP-VJM, na rota Rio/Nova York/, em 25 de setembro. No trecho Rio/Port of Spain, ele foi tripulado pelos comandantes Sello e Radwansky, e na etapa Port of Spain/Nova York, (Idlewild), pelos comandantes Plato e Moscoso. Ate o final de 1962, a Varig já havia recebido todos os Electras da encomenda original, que além do PP-VJM, incluía ainda o PP-VJL, PP-VJN, o PP-VJO e o PP-VJP. (este último perdido em acidente no Rio Grande do Sul).
3ª) A serviço da ONU. No dia 31 de outubro de 1962 um fato curioso ocorreu com o Electra > PP-VJL, que pernoitava em N.York. Ele foi requisitado pela Organização das Nações Unidas, para ir buscar em Havana o secretario geral da ONU, H.Thant, que lá se encontrava negociando a retirada de mísseis soviéticos instalados em Cuba, que se constituíam em real ameaças aos Estados Unidos. no celebre episódio que passou à história como a Crise dos Mísseis. Nessa missão especial o PP-VJL teve como tripulantes os comandantes Plato e Padovani, o engenheiro Werner e o navegador Nicásio. Por se tratar de zona de conflito, eles concordaram em realizar o vôo após receber um rádio da Varig confirmando a contratação de um seguro especial, tendo como beneficiárias sua famílias, feito em caráter emergencial no Lloyd’s de Londres. O vôo N.York/Havana/N.York teve a duração de 9 horas e 42 minutos e, dada a importância da missão, após a decolagem de Havana, caças americanos escoltaram o avião brasileiro até Nova York, com espaço aéreo na rota interditado para qualquer outra aeronave.
4ª) 22 de novembro de 1965 > Primeiro Vôo da Amizade, entre o Brasil e Portugal, feito com o PP-VJO, na rota São Paulo/Rio de Janeiro/Recife/Dakar/Lisboa. Para realização dos vôos da amizade a Varig utilizava duas tripulações técnicas, uma que fazia o trecho nacional e outra responsável pelo trecho internacional a partir de Recife.
5ª) Em março de 1975, a introdução dos Electras II na ponte aérea Rio/ São Paulo /Rio, que voaram ate 05 de janeiro de 1992.
6ª) Entre 1975 e 1979, pelo menos quatro Electras- PP-VLC, PP-VJN, PP-VJU e PP-VJW, voaram na ponte aérea com a pintura básica da Varig, porem sem o nome e logotipo da empresa.
7ª) PP-VJP > Vendido a Varig e entregue em 11/10/62. Acidentado com perda total ao pousar em Porto Alegre, RS, em 5/2/70. Desmontado em POA em 1980 usado como fonte de peças de reposição.
=================================================================
PP-VJM= n/s. 1025.
Modelo L-188A. Encomendado pela American em 15/12/55, primeiro vôo na Lockheed, matriculado como N 6104A, em 31/12/58, entregue à American como Flagship Wanshington, com mesma matricula. em 9//59. Venda à Real como PP-YJH, cancelada. Vendido a Varig em 15/3/61 e entregue em 30/8/62. Último serviço no Brasil vôo RG 634 SDU/CGH., em 29/12/91. Doado ao Museu Aeroespacial da FAB, trasladado em 7/5/92 para as instalações do museu, no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, onde está em exibição.
PP-VJN= n/s 1037.
Modelo L-188A. Igualmente comprado pela American Airlines, em 15/12/55, primeiro vôo na Lockheed em 27/1/59 matriculado como N 6108A, entregue a American como Flagship Buffalo, com a mesma matricula, em 16/2/59. Venda à Real como PP-YJF cancelada e vendido a Varig em 1/9/62 e entregue em 10/9/62, como PP-VJN. Foi seqüestrado na rota
São Paulo /Curitiba em 19/5/72. Último serviço no Brasil vôo RG 635 CGH / SDU, em 5/1/92, e posteriormente no vôo de despedida no dia 6/1/92. Vendido à Blue Airlines, do Zaire como 9Q-CDI > Dominique Mesenga e entregue em 29/7/93
PP-VJO= n/s 1041.
Modelo L-188A.Encomendado pela American Airlines em 15/12/55 e recebido em 27/2/59 como N 6109A Flagship Toronto. Vendido a Varig e entregue em 30/9/62, como PP-VJO.
Último serviço no Brasil RG 663, CGH / SDU, em 1/192 > e posteriormente no vôo despedida em 06/1/92. Vendido a FilAir, do Zaire como 9Q-CXU, entregue em novembro de 1993.
PP-VJU= n/s 1119 (*)
Vendido a Varig em 22/11/67 e entregue em dezembro do mesmo ano, curiosidade em 14/6/90 colidiu com um Urubu, danificando a parte dianteira próximo ao pára-brisa em aproximação para pouso no Rio de Janeiro (SDU), reparado e logo recolocado na malha.
PP-VLY= n/s 1073 (*)
Vendido a Varig e recebido em 24/5/77, voou anteriormente na Aerocondor, da Colômbia como HK-775. Em 30/6/80 fez pouso de emergência no GIG, devido problemas no trem de pouso da biquilha, felizmente não houve vitimas. Reparado e recolocado na malha.
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(*) Voaram primeiramente na American Airlines, como N 6128 A e N 6119 A, respectivamente.
Como podemos observar felizmente não houve nenhum acidente grave com esse maravilhoso avião em rotas Brasileiras. A reportagem é bem mais longa mas...
Obs. Acredito que muitos amigos do Fórum devem ter essa revista FLAP Internacional Volume II Aviação Turboélice no Brasil.
A Varig foi proprietária de 15 Electras II, sendo que operou com 14, devido à perda em acidente felizmente sem vitimas, como já informado do PP-VJP.
Abraços
CURSIO
Prezados amigos:
Permitam tomar um pouco de seu tempo.
Desde o final da década de 70 (mais precisamente 1977), quando passei de empregado a empregador, tive a oportunidade de viajar mais de avião, visto que em meu ramo de trabalho, os maiores fornecedores eram baseados na cidade do Rio de Janeiro. Isto me proporcionou a possibilidade de fazer vários vôos na ponte aérea entre 1978 - 1989, o que me deu o privilégio e o prazer de voar muitas vezes nos fabulosos Electra II, da Varig, que deixaram muitas saudades nos usuários da ponte. Na primeira vez em que fui ao Rio pela ponte aérea, por coincidência fui e voltei na mesma aeronave - PP-VJW. Como procurava sair sempre nos primeiros horários, invariavelmente eram os vôos VP 601 ou RG 603, no retorno - quando terminava a minha missão - chegava ao SDU e o primeiro vôo em disponibilidade eu voltava; quando necessitava de ir a Caxias, em uma indústria de ferramentas para o ramo de relojoaria, viajava para o GIG. Essas idas e vindas, me proporcionaram a possibilidade de voar em quase todos os Electras da RG. Recordo porém, que nunca viajei em algumas aeronaves, a exemplo do PP-VLB, PP-VNJ, VNK. Outro detalhe é que sempre gostei de viajar na parte traseira dos aviões seja o tipo que for, obviamente sempre em que tenha lugares disponíveis. Um vez viajando no PP-VLA - que a exemplo do VLB - só tinha uma porta, visto que os mesmos eram cargueiros e foram convertidos para passageiros; resolvi viajar na parte dianteira. O ruído dos motores me importunaram bastante...Esta foi à única vez em que voei na parte da frente.
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Bem algumas curiosidades sobre este Fabuloso avião.Obviamente são dados extraídos de Revistas da época, a qual contavam as qualidades deste notável avião.
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Revista FLAP Internacional, edição especial sobre Turbo-hélice.
Texto de Mario B. Vinagre.
Nos quase 30 anos que operaram no Brasil, dos quais por 16 reinaram absolutos na ponte aérea, os Electra não tiveram um acidente fatal sequer e atingiram a invejável posição de segundo aparelho de maior longevidade na aviação comercial brasileira, suplantado apenas pelo lendário Douglas DC-3. (Obs. não se questionou o uso dos B. 737, varias versões)
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GÊNESE
O Lockheed L-188 Electra surgiu da necessidade que algumas empresas aéreas tinham de atender rotas de curtas e médias distâncias, nas quais os jatos puros eram antieconômicos, e também para substituir modelos a pistão mais lentos e fazer frente ao Vickers Viscount, quadrimotor turboélice inglês que estava obtendo grande sucesso de vendas e havia sido escolhido por algumas transportadoras americanas. As especificações originais do Electra foram geradas inicialmente pela American Airlines, em 1954, e refinadas no ano sguinte por essa mesma companhia e pela Eastern Airlines, que precisava também de um avião similar para atender à sua rede de rotas. O projeto da Lockheed em resposta a essas especificações previa uma aeronave tracionada por quatro motores turboélice Allison 501 de 3.750 SHP, similares aos utilizados no C-130 Hercules, que então estava entrando em produção, e capaz de transportar entre 85 e 90 passageiros a uma veloidade de cruzeiro de mais de 600 km/h, com alcance superior a 4.000 km. E. 8 de junho de 1955, a American Airlines fez a ecomenda inicial que lançou o programa, ao comprar 35 desses aviões, batizados pela Lockheed como L-188 Electra. Àquela encomenda inicial, seguiu-se em 27 de setembro de 1955 uma da Eastern Airlines, para 40 aviões. Um mês depois era iniciada a construção do primeiro dos quatro protótipos que iriam participar do programa de ensaios e homologação do novo modelo. Nos dois anos seguintes, o crescente interesse despertado pelo avião fez com que a Lockheed registrasse vária novas encomendas. À época em que ficou pronto o primeiro protótipo no final de 1957, a carteira de pedidos do Electra já somava 129 encomendas de seis empresas aéreas americanas( American, Braniff, Eastern, National, Pacific Southweest e Western), alem de três estrangeiras ( KLM, da Holanda, a primeira do exterior a encomendá-lo; Garuda, da Indonésia; e Cathay Pacific, de Hong Kong). O primeiro protótipo do Electra, matriculado (N 1881), realizou seu primeiro vôo em 6 de dezembro de 1957, a partir das instalações da Lockheed em Burbank, na Califórnia,. tendo aos seus comandos o piloto de provas chefe da companhia, Herman Fish Salmon. O vôo terminou sem maiores problemas em Palmdale, onde seria centralizado todo o programa de ensaios do Electra. Em rápida sucessão juntaran-se a ele, durante 1958, os outros três protótipos: o segundo (N 1882) em fevereiro, o quarto (N 1884) em abril e o terceiro (N 1883) em agosto. Com isso, o programa de ensaios e certificação entrou em ritmo acelerado e, em 22 de agosto do mesmo ano, a Lockheed recebia da Civil Aviation Agency, hoje Federal Avation Administration (FAA), o certificado de homologação de tipo para o Electra, atestando que o novo turboélice estav apto a entrar em operação comercial no transporte de passageiros. Homologado o novo avião, começaram as esteregas. A Eastern, em 8 de outubro de 1958, seguida da American Airlines, que recebeu seu primeiro aparelho quatro dias depois. A primeira empresa a introduzi-lo em serviço foi também a Eastern, em 12 de janeiro de 1959, na rota Nova York/Miami, em seguida em 23 do mesmo mês pela American Airlines, no trecho Nova York/Chicago. Conforme aumentava a experiência operacional com o Electra, a Lochkeed recebia novas encomendas de clientes, tais como a Northwest, dos Estados Unidos, e a Ansett, a Qantas e a Trans Austrália Airlines, todas da Austrália. As vendas do aparelho, todavia, não estavam alcançando as expectativas. Como resultado, a cadência de produção era relativamente pequena o que aumentava os custos industriais do programa e, por conseguinte, o seu ponto de equilíbrio financeiro. Inicialmente calculado em 190, ele já pulara para 215 aviões. Infelizmente para a Lochkeed, esse quadro foi piorado por dois acidentes fatais causados por falha estrutural em vôo, ocorridos em setembro de 1959 e em março de 1960, envolvendo aviões de propriedade da Braniff e da Northwest Airlines. Em que pese o clamor da opinião publica para que os Electras fosse retirado de serviço, a FAA decidiu apenas impor uma restrição de velocidade aos aviões em operação, quie não poderiam voar a mais de 418 km/h. Essa decisão baseava-se na suposição de que as cargas aerodinâmicas menores, no vôo mais lnto, evitariam outros acidentes até que se apurassem as causa dos dois mencionados. Após meses de investigações, descobriu-se que ambos haviam sido causados por um fenômeno chamado de whirl mode, ocasionado pelo balanço dos motores nos seus montantes quando perturbados, por exemplo, por uma sacudidela por turbulência.
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Outras curiosidades, obviamente vou enviar parte de uma reportagem com mais de 16 paginas, e há reportagem também em outras revista isso daria um texto muito grande, mas vamos algumas das curiosidades.
1ª) O primeiro Electra II a chegar ao Brasil foi o PP-VJM, em 02 de setembro de 1962, depois de um vôo de traslado de três dias, tripulado pelos comandantes Plato e Moscoso, e os engenheiros de vôo Arterio e Klein, que o trasladaram desde a base da American, em Tulsa, no Oklahoma, até o aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O vôo tinha escala prevista em Miami e Port of Spain. Após a decolagem de Miami, houve uma falha total no sistema estático da aeronave, que teve que retornar àquele aeroporto após alijar todo o combustível. Sanado o problema, o PP-VJM decolou para cumprir a etapa final do traslado- o trecho Port of Spain/Congonhas, que teve a duração de 7 horas e 48 minutos, um recorde para a época.
2ª) O vôo inaugural do Electra foi realizado pelo mesmo PP-VJM, na rota Rio/Nova York/, em 25 de setembro. No trecho Rio/Port of Spain, ele foi tripulado pelos comandantes Sello e Radwansky, e na etapa Port of Spain/Nova York, (Idlewild), pelos comandantes Plato e Moscoso. Ate o final de 1962, a Varig já havia recebido todos os Electras da encomenda original, que além do PP-VJM, incluía ainda o PP-VJL, PP-VJN, o PP-VJO e o PP-VJP. (este último perdido em acidente no Rio Grande do Sul).
3ª) A serviço da ONU. No dia 31 de outubro de 1962 um fato curioso ocorreu com o Electra > PP-VJL, que pernoitava em N.York. Ele foi requisitado pela Organização das Nações Unidas, para ir buscar em Havana o secretario geral da ONU, H.Thant, que lá se encontrava negociando a retirada de mísseis soviéticos instalados em Cuba, que se constituíam em real ameaças aos Estados Unidos. no celebre episódio que passou à história como a Crise dos Mísseis. Nessa missão especial o PP-VJL teve como tripulantes os comandantes Plato e Padovani, o engenheiro Werner e o navegador Nicásio. Por se tratar de zona de conflito, eles concordaram em realizar o vôo após receber um rádio da Varig confirmando a contratação de um seguro especial, tendo como beneficiárias sua famílias, feito em caráter emergencial no Lloyd’s de Londres. O vôo N.York/Havana/N.York teve a duração de 9 horas e 42 minutos e, dada a importância da missão, após a decolagem de Havana, caças americanos escoltaram o avião brasileiro até Nova York, com espaço aéreo na rota interditado para qualquer outra aeronave.
4ª) 22 de novembro de 1965 > Primeiro Vôo da Amizade, entre o Brasil e Portugal, feito com o PP-VJO, na rota São Paulo/Rio de Janeiro/Recife/Dakar/Lisboa. Para realização dos vôos da amizade a Varig utilizava duas tripulações técnicas, uma que fazia o trecho nacional e outra responsável pelo trecho internacional a partir de Recife.
5ª) Em março de 1975, a introdução dos Electras II na ponte aérea Rio/ São Paulo /Rio, que voaram ate 05 de janeiro de 1992.
6ª) Entre 1975 e 1979, pelo menos quatro Electras- PP-VLC, PP-VJN, PP-VJU e PP-VJW, voaram na ponte aérea com a pintura básica da Varig, porem sem o nome e logotipo da empresa.
7ª) PP-VJP > Vendido a Varig e entregue em 11/10/62. Acidentado com perda total ao pousar em Porto Alegre, RS, em 5/2/70. Desmontado em POA em 1980 usado como fonte de peças de reposição.
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PP-VJM= n/s. 1025.
Modelo L-188A. Encomendado pela American em 15/12/55, primeiro vôo na Lockheed, matriculado como N 6104A, em 31/12/58, entregue à American como Flagship Wanshington, com mesma matricula. em 9//59. Venda à Real como PP-YJH, cancelada. Vendido a Varig em 15/3/61 e entregue em 30/8/62. Último serviço no Brasil vôo RG 634 SDU/CGH., em 29/12/91. Doado ao Museu Aeroespacial da FAB, trasladado em 7/5/92 para as instalações do museu, no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, onde está em exibição.
PP-VJN= n/s 1037.
Modelo L-188A. Igualmente comprado pela American Airlines, em 15/12/55, primeiro vôo na Lockheed em 27/1/59 matriculado como N 6108A, entregue a American como Flagship Buffalo, com a mesma matricula, em 16/2/59. Venda à Real como PP-YJF cancelada e vendido a Varig em 1/9/62 e entregue em 10/9/62, como PP-VJN. Foi seqüestrado na rota
São Paulo /Curitiba em 19/5/72. Último serviço no Brasil vôo RG 635 CGH / SDU, em 5/1/92, e posteriormente no vôo de despedida no dia 6/1/92. Vendido à Blue Airlines, do Zaire como 9Q-CDI > Dominique Mesenga e entregue em 29/7/93
PP-VJO= n/s 1041.
Modelo L-188A.Encomendado pela American Airlines em 15/12/55 e recebido em 27/2/59 como N 6109A Flagship Toronto. Vendido a Varig e entregue em 30/9/62, como PP-VJO.
Último serviço no Brasil RG 663, CGH / SDU, em 1/192 > e posteriormente no vôo despedida em 06/1/92. Vendido a FilAir, do Zaire como 9Q-CXU, entregue em novembro de 1993.
PP-VJU= n/s 1119 (*)
Vendido a Varig em 22/11/67 e entregue em dezembro do mesmo ano, curiosidade em 14/6/90 colidiu com um Urubu, danificando a parte dianteira próximo ao pára-brisa em aproximação para pouso no Rio de Janeiro (SDU), reparado e logo recolocado na malha.
PP-VLY= n/s 1073 (*)
Vendido a Varig e recebido em 24/5/77, voou anteriormente na Aerocondor, da Colômbia como HK-775. Em 30/6/80 fez pouso de emergência no GIG, devido problemas no trem de pouso da biquilha, felizmente não houve vitimas. Reparado e recolocado na malha.
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(*) Voaram primeiramente na American Airlines, como N 6128 A e N 6119 A, respectivamente.
Como podemos observar felizmente não houve nenhum acidente grave com esse maravilhoso avião em rotas Brasileiras. A reportagem é bem mais longa mas...
Obs. Acredito que muitos amigos do Fórum devem ter essa revista FLAP Internacional Volume II Aviação Turboélice no Brasil.
A Varig foi proprietária de 15 Electras II, sendo que operou com 14, devido à perda em acidente felizmente sem vitimas, como já informado do PP-VJP.
Abraços
CURSIO
Re: História > Saudades dos Electras
Legal, José Cursio! Apesar da minha pouca idade, ainda tive a oportunidade de voar de Electra! Foi meu presente de aniversário de 1991, de tanto que eu gosto deste avião e de tão presente que ele esteve em meu cotidiano. Lembro que era dia da secretária e algumas da VRG estavam a bordo e receberam homenagem do cmte pelo sistema de som da aeronave. O vôo foi em 30/09/91, no PP-VNJ.
Taí uma coisa que sempre me deixou intrigado. Que sentido teria colocar um Electra voando para JFK se o 707 já tinha chegado 2 anos antes?José Cursio escreveu:2ª) O vôo inaugural do Electra foi realizado pelo mesmo PP-VJM, na rota Rio/Nova York/, em 25 de setembro.
Grato desde já!
Abraços!!!
Abraços!!!
- arthuramaral_CGR
- Moderador

- Mensagens: 5493
- Registrado em: Seg Dez 20, 2004 14:25
- Localização: Campo Grande-MS
- Contato:
Para ilustrar o tópico:
Despedida do Electra da ponte (JN):
http://www.youtube.com/watch?v=sRwSIjpIxws
Outro video interessante:
http://www.youtube.com/watch?v=14_iermB ... ed&search=
Despedida do Electra da ponte (JN):
http://www.youtube.com/watch?v=sRwSIjpIxws
Outro video interessante:
http://www.youtube.com/watch?v=14_iermB ... ed&search=
-
Xavante
O Eletra foi o culpado de eu ser esse louco-por-avião, meio que caso de internação. Quando escutava o ronco surdo dos motores, nem o Balão Mágico me segurava. Eu já estava lá na janela, debruçado de plantão. E eles passavam de meia em meia hora, grandes, subindo de CGH e fazendo uma lenta curva rumo ao SDU. Um dia desses vou até o Campo dos Afonsos pra ver o VJM e matar as saudades da primeira grande paixão da minha vida, e que por sinal, foi o primeiro avião em que voei.


Re: História > Saudades dos Electras
Em anos de Varig, não me conformo em não ter voado os Electra.Electra escreveu:Legal, José Cursio! Apesar da minha pouca idade, ainda tive a oportunidade de voar de Electra! Foi meu presente de aniversário de 1991, de tanto que eu gosto deste avião e de tão presente que ele esteve em meu cotidiano. Lembro que era dia da secretária e algumas da VRG estavam a bordo e receberam homenagem do cmte pelo sistema de som da aeronave. O vôo foi em 30/09/91, no PP-VNJ.Taí uma coisa que sempre me deixou intrigado. Que sentido teria colocar um Electra voando para JFK se o 707 já tinha chegado 2 anos antes?José Cursio escreveu:2ª) O vôo inaugural do Electra foi realizado pelo mesmo PP-VJM, na rota Rio/Nova York/, em 25 de setembro.
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Re: História > Saudades dos Electras
Tive a oportunidade de fazer meu primeiro voo, no Electra PP-VJM, o do MUSAL. Seu som parecia com o da cigarra. Bons tempos! Saudades desse grande avião!
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Re: História > Saudades dos Electras
Caro Electra,Electra escreveu:Legal, José Cursio! Apesar da minha pouca idade, ainda tive a oportunidade de voar de Electra! Foi meu presente de aniversário de 1991, de tanto que eu gosto deste avião e de tão presente que ele esteve em meu cotidiano. Lembro que era dia da secretária e algumas da VRG estavam a bordo e receberam homenagem do cmte pelo sistema de som da aeronave. O vôo foi em 30/09/91, no PP-VNJ.Taí uma coisa que sempre me deixou intrigado. Que sentido teria colocar um Electra voando para JFK se o 707 já tinha chegado 2 anos antes?José Cursio escreveu:2ª) O vôo inaugural do Electra foi realizado pelo mesmo PP-VJM, na rota Rio/Nova York/, em 25 de setembro.
É fácil entender o porque disso: em 1961, entre as linhas que a Varig herdou da REAL estava uma linha Rio-Los Angeles. O Boeing 707 foi colocado nessa rota e, como a empresa só tinha dois 707, os PP-VJA e PP-VJB, ficou apenas um 707 para atender Nova York. Nessa época, os voos para JFK eram feitos com 707, Caravelle e Constellation, e o Electra substituiu o Constellation, por ser bem mais veloz do que esse último, ok?

Re: História > Saudades dos Electras
Excelnte topico!
Muito obrigado por reviver essas memorias.
Muito obrigado por reviver essas memorias.
Re: História > Saudades dos Electras
Um Electra em cia estrangeira
Assista no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=fEcrdHkwFfw
O ruído ao final é inconfundível.
E a porrada no pouso, aos 35s me fez encolher na cadeira...
Assista no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=fEcrdHkwFfw
O ruído ao final é inconfundível.
E a porrada no pouso, aos 35s me fez encolher na cadeira...
Re: História > Saudades dos Electras
Boa tarde amigos.
uma história engraçada que meu pai contou quando tralhava na VARIG como supervisor de catering, em um vôo do GIG para VIX no Electra, os comissários já haviam
entregue as refeições aos passageiros e, de repente o Cmte informa que vão entrar em uma região de turbulência. Começa aquela "festa" dentro do avião, voando bandeja e copo de refri e suco.
Quando tudo se acalmou, meu pai procurando o copo de suco dele, sem querer o passageiro da poltrona da frente olha pelo espaço dos assentos, este passageiro careca, meu pai olha pra ele e o suco escorrendo pela sua cabeça...hahahahahahahaha.
abraços
uma história engraçada que meu pai contou quando tralhava na VARIG como supervisor de catering, em um vôo do GIG para VIX no Electra, os comissários já haviam
entregue as refeições aos passageiros e, de repente o Cmte informa que vão entrar em uma região de turbulência. Começa aquela "festa" dentro do avião, voando bandeja e copo de refri e suco.
Quando tudo se acalmou, meu pai procurando o copo de suco dele, sem querer o passageiro da poltrona da frente olha pelo espaço dos assentos, este passageiro careca, meu pai olha pra ele e o suco escorrendo pela sua cabeça...hahahahahahahaha.
abraços
"A hélice do avião funciona como ventilador,basta ela parar pro piloto começar a suar".
http://www.flickr.com/photos/fo208b/" onclick="window.open(this.href);return false;
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-
Marcelo Magalhães
- MASTER

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- Registrado em: Seg Dez 20, 2004 11:43
Re: História > Saudades dos Electras
Amigos:
Propaganda da VARIG qdo do recebimento dos L188.
Veiculada no jornal "Correio do Povo" (de Porto Alegre), em 08 de setembro de 1962.
Notar o mapa já mostrando os voos p NY que foram realizados por algum tempo pelos Electra. Eu sempre tinha escutado (e a parca literatura especializada sempre tb apregoava) que o uso dos Electra na rota para NY tinha se dado pela queda do 'VJB (ocorrida em 27-NOV-62), mas como se percebe, a empresa já tinha intenção de usar essa aeronave na linha para a "Big Apple", antes mesmo do acidente com o 'JB.

Abraços,
Marcelo Magalhães
Propaganda da VARIG qdo do recebimento dos L188.
Veiculada no jornal "Correio do Povo" (de Porto Alegre), em 08 de setembro de 1962.
Notar o mapa já mostrando os voos p NY que foram realizados por algum tempo pelos Electra. Eu sempre tinha escutado (e a parca literatura especializada sempre tb apregoava) que o uso dos Electra na rota para NY tinha se dado pela queda do 'VJB (ocorrida em 27-NOV-62), mas como se percebe, a empresa já tinha intenção de usar essa aeronave na linha para a "Big Apple", antes mesmo do acidente com o 'JB.

Abraços,
Marcelo Magalhães

