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Boeing 707 séries 300 e 400
Enviado: Qua Jan 03, 2007 14:03
por Constellation
Caros amigos,
Desde 1960 até hoje, dois modelos de Boeing 707 foram operados no Brasil, os B707-400 e os B707-300.
Três aeronaves modelo Boeing 707-441 foram operadas pela Varig, entre 1960 e 1979: PP-VJA, PP-VJB e PP-VJJ. O PP-VJB foi perdido em um acidente no Peru, em 1962, com 97 vítimas. Tinham motores Rolls-Royce Conway, os primeiros turbofans operados no Brasil.
Me parece que todos os demais Boeing 707 que operam ou operaram no Brasil eram modelos -300, com motores P&W JT-3D.
Além da diferença óbvia da motorização, quais eram as outras diferenças?
Um abraço.
Enviado: Ter Jan 23, 2007 07:21
por RICARDO HUGO URUGUAY
Todos os "300" eram e são 320C, que são conversíveis de passageiros para carga ou vice-versa, já os "441" eram somente para passageiros.
Enviado: Ter Jan 23, 2007 13:57
por Constellation
RICARDO HUGO URUGUAY escreveu:Todos os "300" eram e são 320C, que são conversíveis de passageiros para carga ou vice-versa, já os "441" eram somente para passageiros.
Oi Ricardo,
A questão dos Boeing 707 não é tão simples assim. Os modelos da Boeing são fabricados, em geral, sob encomenda, incorporando requisitos e detalhes específicos para cada operador.
Assim, um modelo Boeing 707-320C é uma aeronave "genérica", pois -320 significa "modelo 300 (motores JT3-D-alongado), 20 é o "Customer Number" da própria Boeing e C significa "Combi" misto carga-pax.
As letras depois do modelo significam: B= full pax, sem porta de carga; C=combi, versão conversível carga/pax; F=cargueiro puro (freighter), sem janelas e com portas de carga.
Assim, caso a Varig, por exemplo, encomendasse um Boeing 707-300 de passageiros, o modelo deveria ser Boeing 707-341B. 41 é o Customer Number (número do operador) da Varig.
Essa nomenclatura serve para outros modelos. Um Boeing 747-400 Combi operado pela KLM, por exemplo, será um B747-406C, sendo 06 o CN da KLM e C significa "Combi". Um outro 747-400, cargueiro puro da Lufthansa, será um B747-430F (30, CN da Lufhansa e F, Cargueiro puro).
A designação segue o avião, ainda que ele seja vendido ou arrendado para outros operadores. Assim, um Boeing 737-800 fabricado para a GOL, por exemplo, deverá ser um B737-8EH. Se tiver outras letras ou números, foi fabricado para outro operador, ainda que seja uma empresa que arrende aviões, e não os opere diretamente.
No caso de conversão, alguns operadores ou empresas de manutenção alteram a nomeclatura, e um Boeing 727-41 pode virar um Boeing 727-41F ou 41(F), mas acho que essa mudança não é "oficial" do ponto de vista das autoridades aeronáuticas (FAA, ANAC...), e as DAs e SB continuam válidas para o modelo. Vale dizer que o Boeing 727, por exempolo, no início não era designado modelo -100. Depois que foi construído o modelo -200, é que foi adotada a nomeclatura B747-100. Então, os 727-100 eram designados assim: Boeing 737-30 (B727-100 da Lufthansa), B727-41 (B727-100 da Varig, e assim por diante).
Espero ter esclarecido alguma coisa.
Um abraço.
Produção dos Boeing 707
Enviado: Sex Jan 26, 2007 20:37
por Constellation
Caros amigos,
Excluindo os modelos militares da família C-135, que não são derivados do Boeing 707, e foram fabricados desde o início como aeronaves militares, destinadas especialmente a reabastecimento em vôo e guerra eletrônica, e excluindo as células convertidas em modelos E-3 (programa AWACS) e E-6, foram fabricados:
63 exemplares do B707-120
78 exemplares do B707-120B
05 exemplares do B707-220
69 exemplares do B707-320
174 exemplares do B707-320B
337 exemplares do B707-320C
37 exemplares do B707-420
65 exemplares do B720
89 exemplares do B720B
Totalizando: 917 aeronaves
O modelo B707-820 foi projetado, com fuselagem alongada e motores CFM-56. Um protótipo voou com esses motores na Boeing a partir de 27 de novembro de 1979, mas acabou não entrando em produção.
Os modelos -320 (20 é o Customer Number da própria Boeing, mas todos os aviões encomendados por operadores específicos levam o CN do proprio operador) foi o mais produzido, e pode ser considerado o modelo "padrão" do fabricante, sendo praticamente o único que permaneceu em produção a partir de 1962.
As últimas células fabricadas foram convertidas em modelos militares E-3 e E-6.
Um considerável número de aeronaves civis foi convertida em militares, especialmente como reabastecedores e VIPs. A grande capacidade dos tanques da aeronave (90.299 litros, para os -320C) tornou o modelo ideal para conversão em KC-137, para reabastecimento, sem necessidade de instalar tanques extras.
No Brasil, a FAB opera 4 aeronaves KC-135, os FAB 2401, 2402, 2403 e 2404, antes matriculados na Varig como PP-VJY, PP-VJX, PP-VJH e PP-VLK, respectivamente, todos modelos -320C. O primeiro avião comprado foi o PP-VJK, que caiu em Abidjam, Costa do Marfin, em janeiro de 1987, no último vôo pela Varig. Seria, na FAB, o FAB 2400. Além de sua capacidade como reabastecedores, podem operar sem problemas como aviões de passageiros, em configuração semelhante à antiga, na Varig, ou então VIP, como o FAB 2401, que tinha a função de aeronave Presidencial para longas distãncias, e ainda cumpre missões de apoio nas viagens presidenciais ao exterior.
A grande tragédia para os Boeing 707 ocorreu a partir da aquisição de 189 aeronaves B707 e B720 pelo Departamento da Defesa americano, para aproveitar os motores PW JT3-C no programa de modernização dos reabastecedores KC-135 (Programa KC-135E), que eram equipados com os beberrões motores J57. Isso ocorreu a partir do início dos anos 80, e os militares pagaram de 850 a 950 mil dólares por célula, todos em condições de vôo. Os aviões foram desmanchados no AMARC, em Tucson, e ainda existem alguns exemplares mais ou menos "inteiros" por lá, embora despidos dos seus motores.
Um abraço.
Só complementando.
Enviado: Sex Jan 26, 2007 20:54
por Constellation
Caros amigos,
Para manter seus 4 KC-137 voando, a FAB já desmontou e canibalizou 3 aeronaves, um que veio do Uruguai (CX-BNU) outro ex-Brasair (PP-BRB) e um outro que ainda está lá no PAMA-GL, responsável pela manutenção do modelo.
O PP-BRB era um modelo B707-336C, cujo primeiro operador foi a BOAC, depois British Airways, como G-ASZG. Esse avião foi desmontado no CEMAN-GIG, no tempo em que a VEM fazia os Checks de grande porte (C e D) nos KC-137 da FAB. Eu visitei o que sobrou desse avião em setembro de 2001, lá no CEMAN. Só existia o charuto, sem nada por dentro, nem assoalho. Tirei uma fotos, uma hora eu coloco no fórum, pois estão em papel e devem ser escaneadas. Hoje, já não existe mais nada.
Um abraço.
Re: Boeing 707 séries 300 e 400
Enviado: Dom Fev 25, 2007 11:55
por Marcelo Magalhães
Prezado "Constellation":
Me parece que todos os demais Boeing 707 que operam ou operaram no Brasil eram modelos -300, com motores P&W JT-3D.
Além da diferença óbvia da motorização, quais eram as outras diferenças?
Primeiramente, é preciso aclarar q a versão '320 (sem sufixo algum) foi a primeira versão "Intercontinental" do 707, ainda motorizado c jato-puro, no caso as PW JT-4A (q também motorizava a série 220).
No caso do Brasil, foram utilizadas as versões 320B e 320C do 707, estas sim equipadas c as turbo-fan PW JT-3D.
Qto às diferenças entre a versão '420 e as '320B/C as principais referem-se ao desenho do bordo de fuga das asas e número de flaps Krueger no bordo de ataque.
No entanto, mesmo entre as séries 320/B/C existem algumas diferenças externas, sempre lembrando q da série 7-7 da Boeing, o 707 é o que apresenta o maior número de versões customizadas e conseqüentemente, diferenças entre as várias séries e sub-séries.
Existe um excelente artigo que esgota de forma fenomenal o tema relativo as várias versões e diferenças do clássico 707 cuja leitura é altamente recomendável para quem deseja se aprofundar no tema:
http://www.airlinercafe.com/page.php?id ... 3b40a12768
Abraços,
Marcelo Magalhães
POA/RS
Enviado: Seg Fev 26, 2007 14:55
por aviationcombr
>No Brasil, a FAB opera 4 aeronaves KC-135, os FAB 2401, 2402, 2403 e 2404,
Os FAB são KC-137 (707-320C convertidos), e não KC-135.
Uma curiosidade : seriam 5 aviões para a FAB, mas o 5o deles caiu pouco antes de ser desativado pela VARIG (era o PP-VJK, acidentado em Abidjan, Costa do Marfim).
Abraço