Dirty_wings escreveu:
É. Na verdade a tripulação mencionou a criticidade da situação do combustível, mas não chegou a usar a palavra "emergência"... o que foi decisivo para o desfecho da operação. Além disso, o comandante não falava bem o Inglês e, isso atrapalhou a comunicação no cockpit.
Foi uma sucessão de erros que resultou numa tragédia. Na final para pouso eles ainda foram surpreendidos por uma tesoura de vento que jogou o avião para o solo... Talvez eles tivessem conseguido planar até a pista...
...me parece que, da tripulação, somente um comissário(a) sobreviveu.
SDS
Obviamente, o acidente ocorreu devido a inúmeros fatores. Mas vale ressaltar alguns aspectos:
O co-piloto, que fazia as comunicações com os órgãos ATC, tinha uma proficiência razoável no comando da língua inglesa. Por mais de uma vez, em diversas fases do vôo, o comandante, que não havia compreendido em alguns momentos as comunicações, perguntou ao co-piloto se ele havia declarado emergência. No entanto, as únicas informações passadas ao controle, inicialmente, após a tripulação ser informada que haveria uma espera para pouso foram: “...well I think we need priority we’re passing (unintelligible)”. Em seguida, o órgão ATC questiona por quanto tempo poderiam aguardar e qual seria o aeroporto de alternativa. O co-piloto informa (usando a frase que ficou conhecida como sendo um dos erros de fraseologia para a situação encontrada e que acabou sendo determinante no desfecho fatídico) “It is Boston but we can’t do it now we we (duas vezes) will
run out of fuel now”. 23 segundos após esse contato, foi dado o início à aproximação. Durante a vetoração o F/E informa a respeito da baixa quantidade de combustível, mas os tripulantes acreditam que o controle está ciente da situação e que uma prioridade havia sido dada.
Durante a aproximação final para a pista 22L, o comandante, operando a aeronave de forma manual, usando como referência às indicações “raw data” do glide slope, fica consideravelmente abaixo da rampa de planeio e, para dificultar, a aeronave encontra uma condição de wind shear. Por não ter referências visuais com a pista, uma arremetida foi iniciada. O comandante informa que não há combustível suficiente e fala para ser declarada uma situação de emergência, mas, mais uma vez, o co-piloto apenas coteja as instruções do controle e informa, no final: “
we’re running out of fuel”. O comandante questiona novamente: “O que ele disse, avise que estamos em emergência, você já fez isso?”, e o co-piloto diz: “Sim, eu já o informei”. O controle de aproximação informa que fará uma vetoração para 15 milhas a nordeste quando colocaria a aeronave na final. O controlador questiona se isso estaria bom para eles e para o combustível que possuíam. O co-piloto respondeu que
achava que sim. 10 minutos após o início da arremetida, são perdidos os contatos com o Avianca 052. A aeronave caiu a nordeste do aeroporto, aproximadamente 10 milhas do marcador externo da pista 22L.
Dos tripulantes, somente um/a comissário/a sobreviveu, mas com graves ferimentos. Com relação aos passageiros, mais da metade sobreviveu.