Fui fazer uma viagem ao exterior em abril, a primeira com as novas normas de segurança nos aeroportos brasileiros, exigiu cuidados especiais.
As instruções foram seguidas passo a passo: saquinho de plástico de 20x18 centímetros, com lacre. Dentro, dois colírios de dez mililitros cada, com a receita. Na malinha de bordo e bolsas apenas o essencial e permitido.
Nas malas, produtos e objetos "perigosos": cremes, protetores, desodorantes, pasta de dentes, "rabo-quente" (para o bom e velho chimarrão, pena que eu não nasci no Rio Grande do Sul), tesourinha para cortar as unhas do velho aqui, canivete, faca e garfo de escoteiro (dá para viajar sem eles?).
Havia também o debut, após apagões aéreos, motins, cancelamentos e atrasos de vôos.
Tudo sob controle. Bagagem resolvida, o outro passo era chegar muito cedo para o embarque a fim de evitar as longas filas.
Chegar cedo? Bota cedo! O vôo saía de Porto Alegre às cinco e vinte da matina. Logo, viagem terrestre na véspera. Despertador berrando às 2h45min. Corre-corre para enfrentar o tumulto.
E que tumulto! Dos roncos das barrigas vazias, isso sim. Primeirões no aeroporto literalmente vazio. Nem o check-in abrira.
Não deram bola para o legal e perfeito saquinho. Nem em São Paulo, no vôo para Manaus.
Em compensação, no embarque para o Panamá, funcionários amazonenses resolveram mostrar serviço frente.
As pernas tremeram antes de passar a bagagem de mão pela esteira. Ao lado, uma mesa mais parecia balcão de farmácia. Dezenas de embalagens plásticas recolhidas, com produtos de higiene, remédios e tubos de dentifrício nela se expunham para assustar.
Meu saco (ops, saquinho) até que enfim foi aprovado.
Porém... Tudo errado com a malinha e a bolsa de passagens e documentos dos turistólogos perfeccionistas: o visor detectou objetos perigosos. Revista geral.
Cidadão de cara fechada, bigode, terno azul-marinho, luvas cirúrgicas pediu que abrisse a valise. Passa-me aquele tenebroso pensamento: e se alguém colocou algo dentro? O bolso externo é vulnerável. Mas onde, como, quando?
Conteúdo minuciosamente examinado. Nadica de nada. Ufa! E chega a vez da bolsa do circunspecto viajante, que é muito, mas muito mais atento a detalhes que eu.
Mexe, remexe. Olhares de vitória dos caça-terroristas. Pareciam vibrar: hahahá, pegamos um! E pegaram.
Lá no fundo da bolsa, em capinha de couro... minúsculo cortador de unhas! Velhinho, querendo enferrujar. Perigosa arma a ser exposta como troféu de guerra.
Vontade de praguejar ao enluvado: "Bah, te cuida, tchê! O cortador vai pular e tosquiar teu bigode! Fio por fio...".
P.S. 1 - Durante o vôo foi servido almoço, com reluzentes faca e garfo de inox, Tramontina! Copo da Copa meia boca!
P.S. 2 - No Panamá também revistaram a maldita mala novamente. Descobri o motivo: o fecho de metal de pequena bolsa.
Abração para todos


