VARIG: Tanure fará "milagres"

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VARIG: Tanure fará "milagres"

Mensagem por jambock »

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17/12 - 16:49 / Agencia Estado

As idas e vindas judiciais da última semana mostram que não será fácil para o empresário Nelson Tanure adquirir o controle da Varig. E, mesmo que consiga, terá de fazer milagres para restabelecer os dias de glória da "estrela brasileira".
Aos 78 anos, a Varig é um elefante voador que carrega no lombo uma dívida estimada em R$ 9 bilhões. Com 15 aviões parados por falta de dinheiro para manutenção, a empresa assiste da janela ao crescimento recorde de quase 20% do setor aéreo brasileiro neste ano. De novembro do ano passado para cá, caiu 10 pontos porcentuais em participação no mercado doméstico, perdendo a vice-liderança para a Gol. Com isso, sua receita, que chegou a R$ 8,8 bilhões no ano passado, deverá cair para R$ 6,5 bilhões. Enquanto isso, sua estrutura de custos se manteve praticamente inalterada.
Ainda que consiga vencer a batalha dos tribunais para garantir a aquisição do controle da Fundação Ruben Berta (FRB), controladora da Varig, o empresário terá de convencer os credores da Varig a apoiá-lo. O primeiro desafio será segunda-feira com a assembléia de credores, parte do processo de recuperação judicial. Se não houver nenhuma liminar suspendendo a assembléia, os credores deverão apreciar o plano de Tanure para a aquisição do controle da Varig e também o plano de recuperação da companhia. Se o plano for rejeitado, a falência da empresa será imediatamente decretada.
Mas, supondo que o plano será aprovado e os credores aceitarão Tanure como controlador da empresa, o desafio será restabelecer a credibilidade perdida junto aos fornecedores, em especial as empresas de arrendamento de aeronaves.
Teste - Aqui, o primeiro teste virá na quarta-feira, quando a Justiça de Nova York julgará liminar concedida à Varig que impede o arresto de aeronaves por empresas de leasing. Tanure terá, no mínimo, de provar que será capaz de pagar compromissos correntes com essas empresas - uma conta de cerca de US$ 30 milhões mensais que a Varig não paga desde que entrou em recuperação judicial, em junho. A TAP e o BNDES pagaram US$ 62 milhões para as empresas de leasing, referente a parcelas de julho a setembro, em nome da Varig, numa operação que envolveu a venda de duas subsidiárias mas foi atropelada pela entrada de Tanure. Além de contabilizar essa dívida com a TAP, o empresário terá de pagar outros U$ 60 milhões pelos aluguéis de outubro e novembro. Isso sem contar as dívidas passadas.
Se a liminar for suspensa, a empresa perde imediatamente seus principais aviões, e será o fim dos vôos internacionais. No início do ano, vencerão nada menos do que 31 contratos de arrendamento, referentes a quase toda a frota de 84 aviões. Com o mercado internacional aquecido, especialmente na Ásia, esses aviões serão rapidamente realocados para outras partes do mundo.
Tanure herdará uma empresa totalmente descapitalizada, que paga salários com semanas de atraso e tem de pagar pelo combustível que usa a cada dez dias. "Sem uma injeção de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões no curto prazo, não há como pensar em reerguer a Varig", diz um executivo do setor.
Apenas para recuperar os motores das aeronaves paradas são R$ 120 milhões. Os valores estão longe, bem longe, dos US$ 112 milhões que Tanure ofereceu pelo controle da FRB durante dez anos - e que ele se propõe a pagar em dez parcelas, uma por ano.
Para convencer a fundação e os sindicatos a abraçar sua proposta Tanure prometeu não fazer demissões, manter o fundo de pensão Aerus e não fatiar a empresa. Até o momento, porém, o empresário não deu nenhuma indicação de como pretende reestruturar a empresa e pagar as dívidas. Quais serão as prioridades: mercado doméstico ou internacional? Com que frota pretende operar? Haverá demissões? De onde sairá o capital de giro para bancar a operação? Até agora, ninguém sabe.
Por fim, se a intenção do empresário é fazer com a Varig o que fez com o Jornal do Brasil e com a Gazeta Mercantil, alugando a marca e deixando o passivo de R$ 9 bilhões no colo da fundação, ele já tem um inimigo: o procurador gaúcho Antônio Carlos de Avelar Bastos, do Ministério Público de Fundações. Preocupado, Bastos já instaurou, na noite de sexta-feira, um inquérito civil público para investigar as negociações entre Tanure e a FRB.
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambock@brturbo.com.br
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