Hércules na FAB: proezas do avião e da tripulação
Moderador: Moderadores
Regras do fórum
As regras do fórum estão disponíveis CLICANDO AQUI.
As regras do fórum estão disponíveis CLICANDO AQUI.
-
jambock
- MASTER

- Mensagens: 2461
- Registrado em: Seg Dez 20, 2004 16:37
- Localização: Porto Alegre/RS
- Contato:
Hércules na FAB: proezas do avião e da tripulação
Meus prezados:
Eis três "causos" que retratam fielmente a grande capacidade de improviso das tripulações dos C-130 da FAB e o elevado espírito de responsabilidade, no sentido de que "a missão tem que ser cumprida!" .
-x-x-x-x-x-x-
Desafio interessante enfrentou o Raposo (Aldir Raposo Martins) para conseguir levar um Ônibus Escolar para Fernando de Noronha.
O embarque em Recife foi uma epopéia: quando o ônibus começava a subir na rampa, a frente de seu teto batia no teto do C-130;
solução 1 - esvasiar os pneus! Não foi suficiente. solução 2 - arriar o feixe de molas! Ainda não deu. solução 3 - tirar os pneus dos aros e passar uma camada de borracha, ficando igual às rodas de empilhadeiras! Quase... solução 4 - encher o ônibus de soldados até que a parte da frente livrasse o teto do avião e daí por diante, suspender a traseira do ônibus... finalmente entrou. A saída ninguém se aventurava a fazer um prognóstico que fosse.
Em Noronha parecia que o desembarque seria "mamão com açúcar" pois havia uma carreta da mesma altura da rampa do GORDO! O comprimento da carreta (fora o cavalo mecânico) era maior que o ônibus, que beleza...
Operação em marcha e o montruoso veículo começa a deslizar por sobre a carreta! Mas, na metade do caminho empacou. Nem para frente nem para trás. Foi quando o Raposo, muito inspirado, notou que o centro de gravidade do ônibus já estava sobre a carreta. Concluiu: se o ônibus não sai do avião, o avião vai sair do ônibus!
Deu a partida e ,com muita cautela, taxiou a máquina resolvendo o grande problema.
-x-x-x-x-x-x-
Aprendi com o Cúrcio Filho que se o C-130 fosse feito para transportar passageiros, seria fino e comprido! Mas, às vezes, nem sendo aquele enorme caixote, é fácil acomodar determinadas cargas pesadas.
O Esquadrão foi designado para transportar o 5° BEC de Gravataí para Santarém. Coube-me em uma das pernas levar um trator D-8. O monstro nunca havia sido carregado no Gordo! Pesava 25 toneladas e o máximo permissível era 20!
Nos contatos com a Unidade do Exército, afirmaram que seria possível "aliviar" as 5 toneladas excedentes. Acreditamos. Retiraram o garfo, a lâmina, a esteira, cabine e outros pedaços - dizendo que pesavam as 5 toneladas!
Bem, o embarque foi um sufoco: pranchas e mais pranchas para que o trator pudesse se movimentar só com as rodas! Espaço não sobrava para lado nenhum, mas o brutamontes subiu. Agora, como fazer o balanceamento? Simples - era só fazer coincidir o centro de gravidade do trator com o do avião! Mas quem saberia onde era o do trator? Ninguém, é claro. Ainda bem que o nosso "Loadmaster" era um "Master Marietta" (antigo tripulante que fizera o curso do avião ainda na fábrica). Com toda sua experiência, deu uma olhada na porta da tripulação que já estava quase encostada no chão e vaticinou peremptoriamente:
"Sempre conferi a distância da porta ao chão, tem que dar para passar a ponta da minha bota! Esta está quase encostada... cheguem o trator um pouco para trás."
Sua instrução obedecida, bastou afastar alguns centímetros a grande máquina e a porta subiu o suficiente para seu pé poder passar por baixo! Estava feito o balanceamento. A decolagem gastou toda a pista, mas dentro do que calculamos nos gráficos. O balanceamento fora perfeito. A viagem era à noite para aproveitarmos o frio, porque teríamos que pousar em Brasília de madrugada e decolar em seguida, senão o comprimento da pista não seria suficiente, mas o balanceamento...
-x-x-x-x-x-x-
Ainda no tempo dos "Master Marietta" um C-130 foi buscar na América um Simulador de Vôo de 737 da VASP. A embalagem era um caixote de madeira do tipo 3X3, ou seja praticamente do tamanho do compartimento de carga do GORDO. Para que o caixote deslizasse no piso havia roletes, não seria problema, mas nas laterais o espaço era muito reduzido e se encostasse poderia causar dificuldades e emperrar.
Dito e feito: ao ser empurrado o enorme caixote pesado a madeira cedia um pouco e fugia do alinhamento, esbarrando nas laterais, impossibilitando o deslizamento.
Ninguém arriscava um palpite sequer a não ser a desistência. Mal sabiam da existência de um "Mestre de Cargas - Master Marietta" com um jeitinho brasileiro: foi ao BX, comprou barras de sabão e passou-o em toda a lateral do caixote! Como emperrar agora...
José de Mattos Souza Cel.Av. R/R, autor. A quem rendo minhas homenagens.
Um abraço e até mais....
Eis três "causos" que retratam fielmente a grande capacidade de improviso das tripulações dos C-130 da FAB e o elevado espírito de responsabilidade, no sentido de que "a missão tem que ser cumprida!" .
-x-x-x-x-x-x-
Desafio interessante enfrentou o Raposo (Aldir Raposo Martins) para conseguir levar um Ônibus Escolar para Fernando de Noronha.
O embarque em Recife foi uma epopéia: quando o ônibus começava a subir na rampa, a frente de seu teto batia no teto do C-130;
solução 1 - esvasiar os pneus! Não foi suficiente. solução 2 - arriar o feixe de molas! Ainda não deu. solução 3 - tirar os pneus dos aros e passar uma camada de borracha, ficando igual às rodas de empilhadeiras! Quase... solução 4 - encher o ônibus de soldados até que a parte da frente livrasse o teto do avião e daí por diante, suspender a traseira do ônibus... finalmente entrou. A saída ninguém se aventurava a fazer um prognóstico que fosse.
Em Noronha parecia que o desembarque seria "mamão com açúcar" pois havia uma carreta da mesma altura da rampa do GORDO! O comprimento da carreta (fora o cavalo mecânico) era maior que o ônibus, que beleza...
Operação em marcha e o montruoso veículo começa a deslizar por sobre a carreta! Mas, na metade do caminho empacou. Nem para frente nem para trás. Foi quando o Raposo, muito inspirado, notou que o centro de gravidade do ônibus já estava sobre a carreta. Concluiu: se o ônibus não sai do avião, o avião vai sair do ônibus!
Deu a partida e ,com muita cautela, taxiou a máquina resolvendo o grande problema.
-x-x-x-x-x-x-
Aprendi com o Cúrcio Filho que se o C-130 fosse feito para transportar passageiros, seria fino e comprido! Mas, às vezes, nem sendo aquele enorme caixote, é fácil acomodar determinadas cargas pesadas.
O Esquadrão foi designado para transportar o 5° BEC de Gravataí para Santarém. Coube-me em uma das pernas levar um trator D-8. O monstro nunca havia sido carregado no Gordo! Pesava 25 toneladas e o máximo permissível era 20!
Nos contatos com a Unidade do Exército, afirmaram que seria possível "aliviar" as 5 toneladas excedentes. Acreditamos. Retiraram o garfo, a lâmina, a esteira, cabine e outros pedaços - dizendo que pesavam as 5 toneladas!
Bem, o embarque foi um sufoco: pranchas e mais pranchas para que o trator pudesse se movimentar só com as rodas! Espaço não sobrava para lado nenhum, mas o brutamontes subiu. Agora, como fazer o balanceamento? Simples - era só fazer coincidir o centro de gravidade do trator com o do avião! Mas quem saberia onde era o do trator? Ninguém, é claro. Ainda bem que o nosso "Loadmaster" era um "Master Marietta" (antigo tripulante que fizera o curso do avião ainda na fábrica). Com toda sua experiência, deu uma olhada na porta da tripulação que já estava quase encostada no chão e vaticinou peremptoriamente:
"Sempre conferi a distância da porta ao chão, tem que dar para passar a ponta da minha bota! Esta está quase encostada... cheguem o trator um pouco para trás."
Sua instrução obedecida, bastou afastar alguns centímetros a grande máquina e a porta subiu o suficiente para seu pé poder passar por baixo! Estava feito o balanceamento. A decolagem gastou toda a pista, mas dentro do que calculamos nos gráficos. O balanceamento fora perfeito. A viagem era à noite para aproveitarmos o frio, porque teríamos que pousar em Brasília de madrugada e decolar em seguida, senão o comprimento da pista não seria suficiente, mas o balanceamento...
-x-x-x-x-x-x-
Ainda no tempo dos "Master Marietta" um C-130 foi buscar na América um Simulador de Vôo de 737 da VASP. A embalagem era um caixote de madeira do tipo 3X3, ou seja praticamente do tamanho do compartimento de carga do GORDO. Para que o caixote deslizasse no piso havia roletes, não seria problema, mas nas laterais o espaço era muito reduzido e se encostasse poderia causar dificuldades e emperrar.
Dito e feito: ao ser empurrado o enorme caixote pesado a madeira cedia um pouco e fugia do alinhamento, esbarrando nas laterais, impossibilitando o deslizamento.
Ninguém arriscava um palpite sequer a não ser a desistência. Mal sabiam da existência de um "Mestre de Cargas - Master Marietta" com um jeitinho brasileiro: foi ao BX, comprou barras de sabão e passou-o em toda a lateral do caixote! Como emperrar agora...
José de Mattos Souza Cel.Av. R/R, autor. A quem rendo minhas homenagens.
Um abraço e até mais....
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambockrs@gmail.com
Na aviação, só a perfeição é aceitável
Cláudio Severino da Silva
jambockrs@gmail.com
Na aviação, só a perfeição é aceitável
-
Marco SBCT
- MASTER

- Mensagens: 2950
- Registrado em: Seg Dez 20, 2004 21:52
- Localização: Curitiba-PR-BR
-
Anonymous
-
AeroEntusiasta
- Fundador

- Mensagens: 9762
- Registrado em: Dom Dez 19, 2004 09:00
- Localização: Porto Alegre - RS
- Contato:
Bom dia a todos!
Do gelo ao deserto,
da carga ao transporte VIP,
da ajuda humanitária as operações de assalto e desembarque de tropas,
de vôos curtos a longos percursos,
de lançamentos de fardos a busca e salvamentos,
da decolagem a jato ao pouso curto,
do revo de caças ao revo de helicópteros,
da meteorologia ao olho do furacão,
da espionagem militar a operação civil....
este é o Hércules, fabricado desde 1954 e sucesso até hoje!
É por essas e outras que o Hércules é meu avião do coração!
Aguardem, em breve uma completa história do "Gordo" no AeroEntusiasta!

Do gelo ao deserto,
da carga ao transporte VIP,
da ajuda humanitária as operações de assalto e desembarque de tropas,
de vôos curtos a longos percursos,
de lançamentos de fardos a busca e salvamentos,
da decolagem a jato ao pouso curto,
do revo de caças ao revo de helicópteros,
da meteorologia ao olho do furacão,
da espionagem militar a operação civil....
este é o Hércules, fabricado desde 1954 e sucesso até hoje!
É por essas e outras que o Hércules é meu avião do coração!
Aguardem, em breve uma completa história do "Gordo" no AeroEntusiasta!

Sem mais.
Equipe AeroEntusiasta
http://www.AeroEntusiasta.com.br
https://twitter.com/AeroEntusiasta
https://www.instagram.com/aeroentusiasta/

Equipe AeroEntusiasta
http://www.AeroEntusiasta.com.br
https://twitter.com/AeroEntusiasta
https://www.instagram.com/aeroentusiasta/

-
CHARLES SBBR
- MASTER

- Mensagens: 1159
- Registrado em: Ter Dez 21, 2004 08:59
-
Anonymous
C-130
Sds, Jambock !
Considerando a sua experiencia no C-130, qual a real eficácia das janelas inferiores da proa do avião e por que somente um outro (alem do Provider) a adotaram ?
Isso se prende ao perfil operacional do Hércules, de pousos curtos (stall(?)) .
[ ]s
JMPA
Considerando a sua experiencia no C-130, qual a real eficácia das janelas inferiores da proa do avião e por que somente um outro (alem do Provider) a adotaram ?
Isso se prende ao perfil operacional do Hércules, de pousos curtos (stall(?)) .
[ ]s
JMPA
-
marcos felipe
- PP

- Mensagens: 88
- Registrado em: Ter Jan 04, 2005 15:43
- Localização: brasilia/df
jambock mande me tudo quantoo e tipo de causo do GORDO viu
mande mermo viu
belas historinhas
alem da aviaçao que eu gosto muito gosto de causos e quando junta os dois num soh eu fico louco.
abraços
marcos felipe
aguas claras/DF
cpipsdb@hotmail.com
meu msn tah flws ate a proxima
mande mermo viu
belas historinhas
alem da aviaçao que eu gosto muito gosto de causos e quando junta os dois num soh eu fico louco.
abraços
marcos felipe
aguas claras/DF
cpipsdb@hotmail.com
meu msn tah flws ate a proxima

