Vasp paga a conta e Eletropaulo religa a luz da empresa
FABIANA FUTEMA
da Folha Online
A Eletropaulo religou às 17h15 de hoje a luz da sede da Vasp, localizada nas imediações do aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. A luz só foi religada depois da Vasp pagar uma conta de R$ 56 mil, que vencia ontem. Além disso, a empresa renegociou com a Eletropaulo o pagamento das contas em atraso em seis parcelas.
O débito com a Eletropaulo --correspondente às dívidas acumuladas desde outubro-- gira em torno de R$ 234 mil.
O fornecimento de energia para a Vasp estava suspenso desde as 14h28 de sexta-feira. Foi a segunda vez no ano que a luz da Vasp foi cortada por falta de pagamento. A primeira ocorreu em junho.
A Folha apurou que a Vasp também precisou assinar um termo de confissão de dívida --uma exigência feita pela distribuidora de energia para religar a luz da companhia aérea.
Demissões
A Vasp --que está sob intervenção desde março-- terá que enfrentar uma nova negociação nesta semana. Desta vez, o assunto são as demissões programadas pelo comitê interventor, que deverão ser discutidas com os sindicatos de aeronautas e aeroviários.
O Sindicato Nacional dos Aeronautas quer explicações sobre o plano de demissões, que deve atingir até 4.500 funcionários. "Uma demissão de um número tão grande de funcionários pode atrapalhar o processo de decisão do juiz que vai analisar o pedido de recuperação", disse a presidente do sindicato dos aeronautas, Graziella Baggio.
O presidente do comitê interventor da Vasp, Raul Levino de Medeiros, diz que a medida tem o objetivo de adequar a empresa ao processo de recuperação, solicitado em julho. Ele espera que a Justiça aceite o pedido de recuperação até setembro.
A lei de recuperação determina que a empresa mantenha em dia o pagamento das dívidas contraídas após a concessão da recuperação, como a folha de pessoal. O problema, diz Medeiros, é que a Vasp tem uma folha de pagamento "fictícia": são cerca de 4.900 funcionários, mas 4.700 estão afastados desde dezembro.
Medeiros diz que a empresa não tem como regularizar o pagamento desses funcionários, pois está sem voar desde janeiro. A solução seria demitir a maior parte para depois recontratar --quando a empresa voltasse a operar.
O advogado Paulo Restiffe, especialista em processos de falência, também disse que o plano da empresa para se recuperar pode representar "um tiro no pé". "Esse plano pode ser uma estratégia viável do ponto de vista financeiro. Mas também pode ser um tiro no pé, pois é uma medida impopular. Moralmente, pode ser uma medida péssima. Que juiz vai querer se sujar com uma história dessas?"
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