BRA responde por até 12% do mercado aéreo

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BRA responde por até 12% do mercado aéreo

Mensagem por Regis »

"AVIAÇÃO/ENTREVISTA

Segundo controlador da companhia, Walter Folegatti, empresa inicia vôos regulares em 1º de outubro

BRA responde por até 12% do mercado aéreo

SILVIO CIOFFI
EDITOR DE TURISMO

Se a companhia aérea BRA já estivesse operando vôos regulares, sua fatia no mercado nacional seria de "10% ou 12%". Quem diz isso é Walter Folegatti, 45, que, junto do irmão, Humberto, 54, é sócio-proprietário da empresa que nasceu operando vôos fretados -e que acaba de receber do DAC (Departamento de Aviação Civil) a autorização que a transforma na mais nova linha aérea do país.
Engenheiro graduado pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), avesso a aparições na mídia, Walter Folegatti prevê que os vôos regulares da BRA (www.voebra.com.br) se iniciem em 1º de outubro.
Filho de um italiano nascido nos arredores de Bari, em Polignano a Mare, esse engenheiro paulistano, cuja empresa navega em céu de brigadeiro, tem postura para lá de espartana. Ele é também sócio do irmão na operadora de turismo PNX (www. pnxtravel.com.br) e na HWF Hotéis, que tem nove hotéis e deve inaugurar outros dois entre o final deste ano e o início de 2006.
Operando hoje seis aviões Boeing, a BRA emprega cerca de 50 pilotos e 45 co-pilotos. Leia a seguir a entrevista concedida em seu escritório à Folha.




BRA - "Como diz a sigla, a BRA nasceu como uma empresa que fazia viagens rodoviárias e aéreas. Hoje a companhia tem nove Boeings (oito B-737 e um B-767) e já fez outras duas encomendas firmes de aeronaves. Agora, no início de agosto, obtivemos do DAC a concessão que nos permitirá operar vôos regulares. Creio que já temos hoje, em quilômetros voados, uma fatia de mercado que fica em torno de 10% a 12% no nacional. E, com o Boeing-767, nós estamos operando diariamente vôos para a Europa -vamos para Milão, Madri, Barcelona, Lisboa (duas vezes semanalmente) e, em breve, voaremos para Düsseldorf (Alemanha). Somos uma companhia aérea "low-fare/low cost" (tarifas baixas e custos baixos)."

MERCADO - "Enxergo que o mercado de transporte aéreo no Brasil ainda é muito pequeno e que podemos crescer. Cerca de cinco ou seis milhões de pessoas são transportados anualmente no país. Ou seja, são 30 milhões de passageiros, sendo que cada pessoa viaja uma média de cinco vezes por ano. Num país de 180 milhões de habitantes com uma extensão continental, esses números são pequenos. O mercado está em crescimento -e devem crescer as empresas que tiverem preços adequados ao bolso do brasileiro."


NÚMEROS - "Não tenho certeza desses números, vi nos jornais, mas estimo que atualmente a Gol e a Varig estejam praticamente empatadas. A líder no mercado nacional hoje é a TAM, com mais de 44% do mercado; em seguida viriam a Gol e a Varig, com pouco menos de 27%. O último trimestre foi apertado para todo mundo, as margens de lucro foram sacrificadas com a alta do petróleo, mas o dólar caiu, o que, por outro lado, ajudou as empresas aéreas. A BRA não teve prejuízo, mas diminuiu o seu lucro. Nosso objetivo para este ano era transportar dois milhões de passageiros. E estamos conseguindo, o final do ano tem normalmente tráfego mais intenso, vamos chegar lá."


CUSTOS - "Não acho que ao deixar de ser uma empresa que opera vôos charter e virar uma companhia aérea regular, a BRA venha a ter custos muito maiores. Hoje temos 75% de regularidade na nossa malha, o que quase nos equipara a uma companhia aérea regular. Somos relativamente mais baratos do que a concorrência. É preciso sempre ver o que está sendo comparado. Nos vôos "corujões", a comparação é mais atípica. Mas nós somos mais baratos numa faixa de 5% nesses vôos noturnos e até 40% em vôos diurnos. Ainda não vendemos bilhetes no site, só através de nossas lojas e dos agentes de viagens."


OBJETIVO - "Quando a BRA surgiu, como disse com a sigla que significava Brasil Rodo-Aéreo, nosso objetivo era transportar passageiros num "mix" ônibus/avião, transportando migrantres. Os passageiros que vinham do Nordeste não eram, em geral, das capitais. Vinham de cidades como Juazeiro, Petrolina... Tanto é que voamos para esses lugares e, também, para Mossoró, Campina Grande, Paulo Affonso, para o interior, onde tem aeroporto com possibilidade de operarmos. Assim, fizemos muitas integrações, em geral, no início da empresa, saindo de São Paulo. Hoje operamos 100% no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, mas nessa nova fase, como empresa aérea regular, iniciaremos operações de quatro aeronaves no aeroporto de Congonhas, em São Paulo."


PADRONIZAÇÃO - "Nossa frota é padronizada: todos os jatos são Boeing-737/300 (que comporta 148 pessoas) ou 737/400 (para 170 passageiros) -que são a mesma aeronave, na verdade uma mais alongada do que a outra e com turbinas um pouco mais potentes. E operamos um Boeing-767, que voa para a Europa. Examinamos adquirir um Boeing-757, mas nossa área técnica concluiu que esse avião não era viável para essas rotas que estamos fazendo. A homologação desse modelo foi feita recentemente no Brasil, pois o B-757 foi concebido para vôos "charteiros", ideal para cinco ou seis horas de vôo. O Brasil não tinha essa característica -ninguém opera no país vôos diretos de Porto Alegre a Manaus. Assim, esse avião não é muito bom para fazer São Paulo-Miami, porque não chega lá, seriam oito horas e meia de vôo. Serviria para fazer Bogotá, Caracas, para voar na América Latina, mas não é o que a BRA está fazendo. Nós até temos planos de voar por aqui -um pessoal de Córdoba, onde a indústria automobilística é forte, acaba de nos procurar, pois a Varig está descontinuando vôos para lá desde o dia 8. Mas, nesse instante, não estamos preparados para isso, embora essa linha, que já teve extensão para Mendoza, deva dar frutos."


LÓGICA - "Queremos agora adquirir maturidade com vôos regulares domésticos. Fazemos vôos fretados no internacional, para turistas, como já disse, mas nesse momento queremos ligar São Paulo a cidades do Nordeste brasileiro. Já temos uma revista de bordo bimensal da BRA indo para terceira edição -fizemos Pernambuco, Ceará e estamos fechando um número para setembro, sobre a Bahia. Também colocamos a bordo o catálogo da Hermes, que vende produtos, notadamente os produtos e cosméticos da Payot, que vende até nos confins da Amazônia."


HOTELARIA - "Temos nove hotéis, ou cerca de 1.600 apartamentos, o que equivaleria a uma capacidade de 3.500 passageiros/dia. Podemos dizer que nossa ocupação anual está hoje girando em torno de 80%. Cinco desses hotéis estão em Porto Seguro, e estamos nos preparando para inaugurar outros dois, um em Natal, com 400 novos apartamentos, isso no início de 2006."


MANUTENÇÃO - "Nossa aeronave mais antiga é de 1991; a mais nova, de 1995. Hoje dentro dos três tipos existentes de manutenção, a de linha, é feita na própria BRA; até check C, de motores, para aeronaves a cada 4.000 horas, é realizada em Israel, com a empresa Iai; já a manutenção check D, que ainda não fizemos, é rotina para aviões que voaram mais de 25 mil horas, ou cerca de seis anos."


FILOSOFIA - "A BRA Transportes Aéreos é uma empresa simples, que praticamente objetiva viagens de mais de 500 km. Queremos ser eficientes e praticar preços parecidos aos preços do transporte de ônibus. Conforme a época do ano, cada linha tem mais passageiros. Em época de festas juninas, Campina Grande vai superbem. Voamos para 32 cidades brasileiras e não há nenhuma que não tenha bom aproveitamento. O ciclo de levar as pessoas que vieram morar em São Paulo para suas cidades de origem é natural. Guardadas as proporções, a italiana Alitalia e a espanhola Iberia também fizeram isso. A japonesa JAL também. Meu pai é italiano, da região de Bari, e a vida é essa, foi assim para os imigrantes e é assim com os migrantes. Nosso país é novo, nossos pais e avós vieram de barco, agora as pessoas usam aviões -o propósito da BRA é esse, transportar gente, fazer a viagem caber no bolso das pessoas."

Fonte: Jornal Folha de São Paulo- Folha Turismo de 11/08/05.

Abraços. Regis.
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