http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinhei ... 200509.htm
CRISE NO AR
PDV visa incentivar o desligamento de funcionários com mais de 13 anos de casa e idade entre 50 e 55 anos
Varig lança plano de demissão voluntária
BRUNO LIMA
DA REPORTAGEM LOCAL
A Varig lançou dois planos de incentivo ao desligamento voluntário de funcionários com mais de 13 anos de trabalho na empresa e com idade entre 50 e 55 anos.
As propostas foram enviadas por e-mail aos empregados na última segunda-feira, dia em que Henrique Neves assumiu o cargo de presidente da companhia. No documento, a aérea afirma que aprovou os planos "considerando a necessidade de adequação do quadro de pessoal". A empresa diz que ainda não pode informar quantas adesões recebeu.
As vagas deixadas por quem optar pelo programa serão canceladas. Também podem participar funcionários da Varig Log, da Rio Sul e da Nordeste.
Segundo analistas da aviação civil, o programa de demissões voluntárias, que tem como foco os funcionários mais próximos da aposentadoria, é uma medida claramente relacionada à reestruturação da empresa, considerada necessária para viabilizar a entrada de um novo controlador.
A estratégia seria reduzir custos, tirando da folha de pagamento os funcionários mais caros. Por convenção coletiva, cortes no setor obedecem à seguinte ordem: voluntários, aposentados, "aposentáveis" e, por fim, os demais, dos mais novos para os mais antigos.
A Varig informou que tradicionalmente adota esse tipo de programa, embora não o tenha implementado no ano passado, e afirmou que não há relação entre os planos de desligamento e seu processo de reestruturação.
A empresa usou o plano para tentar justificar demissões de aeroviários homologadas pelo sindicato da categoria no Estado de São Paulo nesta semana. São aeroviários os empregados de empresas do setor aéreo que trabalham em terra, como funcionários do check-in, mecânicos e pessoal da área administrativa.
Ontem, a Folha teve acesso a documentos de homologação de demissões feitas pela empresa no mês de maio no Estado de São Paulo. O perfil da maioria dos dispensados não atende aos requisitos mínimos do plano de demissões anunciado pela Varig.
A maior parte dos documentos tem data do último dia 2, data do fim do "code share", o acordo de compartilhamento de vôos com a TAM. Como há prazo de dez dias para a homologação, as dispensas que chegaram nesta semana ao sindicato são anteriores à troca de comando na companhia.
A empresa nega que esteja fazendo demissões e afirma que as dispensas ocorridas são rotineiras e normais a uma empresa de seu porte. O receio dos sindicalistas, no entanto, é que, de pouquinho em pouquinho, a lista de demitidos da empresa chegue a números consideráveis. Seria uma estratégia para fazer cortes sem causar alvoroço com o anúncio de uma demissão em massa.
Pessoas ligadas à Varig afirmam que já há projeto no departamento de recursos humanos da aérea para demitir 2.000 funcionários. A empresa nega. A Varig tem 10,5 mil empregados, e o grupo, 17 mil.
Funcionários dispensados ouvidos pela Folha, a maioria deles agentes de vendas de passagens, afirmam que a aérea está reestruturando sua venda de bilhetes, para concentrá-la na central telefônica e na internet. Nos últimos meses, houve fechamento de lojas e de bases em cidades em que a companhia deixou de operar.
Para analistas, a única maneira de evitar demissões é a pressão do governo. Com a diminuição da participação no mercado, seria inevitável o corte do pessoal.
Varig lança plano de demissão voluntária - FSP
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