Boa tarde amigos Forenses.
DC-3 PP-ANX
Fonte – Livro O Rastro da Bruxa.
Comandante Carlos Ari Cesar Germano da Silva
Por volta das 18h30 do dia 10 de abril de 1957, o Douglas DC-3 PP-ANX, pertencente ao consórcio Real – Aerovias – Nacional, caiu na mata que recobre o Pico do Papagaio, ponto culminante da Ilha Anchieta, situada nas proximidades de Ubatuba, cidade do litoral norte paulista. O avião decolara do Aeroporto Santos Dumont às 17h30 e deveria pousar no Aeroporto de Congonhas às 19h00. Eram 18h10 quando o PP-ANX informou ao controle de trafego aéreo que tentaria pousar em Ubatuba com um dos motores em pane. Pouco depois outro avião do consórcio comunicou ter avistado uma grande fogueira na Ilha Anchieta. Somente quando a noite ia alta, a autoridade policial da Ilha conseguiu transmitir ao Secretario de Segurança do Estado de São Paulo a noticia do desastre. Da Ilha Anchieta partiu uma comitiva para Ubatuba para providenciar socorros médicos, enquanto militares da FAB, funcionários do consórcio, médicos e medicamentos eram reunidos às pressas na capital paulista para seguirem até o local do desastre.
Naquela quarta-feira a Real cancelara seu vôo da 15h do Rio para São Paulo com escala em Santos, devido às precárias condições metereológicas presente no litoral norte de São Paulo. Pretendiam alcançar Santos, via terrestre a partir da capital paulista. Quando decolou do Rio, o PP-ANX conduzia a bordo 26 passageiros sob a responsabilidade do comandante Pedro Luis Dias Ferreira (34), cuja tripulação era constituída do co-piloto Igor Konozalowkys (26), radiotelegrafista José Vandranel (22) e o comissário Leonard Stell Steagall (27).
Luis Andrade Cunha, um dos quatro únicos sobreviventes do desastre, declarou que a viagem era normal quando os passageiros foram avisados de deveriam atar seus cintos de segurança e não fumar. Pouco depois, o avião precipitou-se no Pico do Papagaio. Luis tivera sorte em escapar com vida, pois nem tivera tempo de atar seu cinto de segurança. Lembrava que, após o primeiro impacto, o avião de duas ou três cambalhotas antes de parar, e que a fuselagem separou-se das asas e dos motores, sendo poupadas das chamas que consumiram o restante do avião.
Além do Luis Cunha e do comissário Leonard, regatado ainda com vida, mas bastante queimado, sobreviveram Dalva Zema e sua filha menor, Marlene Zema. O esposo e pai, Raul Zema, faleceu no acidente. Outra das vitimas fatais foi Osvaldo Eduardo, diretor do jornal “A Hora” de Santos e um dos cincos passageiros que haviam insistido em viajar no PP-ANX depois do cancelamento do vôo da 15h, Leo Simões Marques, piloto da Real, viajando como tripulante extra, também morreu no acidente.
Embora a comissão de investigação tenha atribuído o acidente à falha de um dos motores por razões indeterminadas, as circunstancias que o cerca ainda permanecem obscuras. A rapidez com que a situação do vôo deteriorou não pode ser explicada somente pela perda de um dos motores, já que os Douglas DC- 3 voava bem monomotor, principalmente quando a falha manifestava-se na faze cruzeiro, como no caso ANX. Um súbito disparo de hélice poderia levar o piloto a perder rapidamente o controle do avião. Esta hipótese, porém, não encontra respaldo no depoimento do passageiro sobrevivente, que dificilmente deixaria de mencionar o ruído alto e estridente produzido por uma hélice descontrolada em alta rotação.
Talvez um incêndio em um dos motores tenha levado o comandante Ferreira atentar pousar em Ubatuba as pressas, ante que o fogo comprometesse a resistência estrutural do avião. O certo é que algum problema súbito e de natureza grave fez Ferreira abandonar o nível de cruzeiro e descer rapidamente em direção ao litoral norte de São Paulo, repleto de elevações ocultas pela escuridão daquela noite chuvosa. Pousar visual à noite em Ubatuba sob intensa pressão psicológica, e condições metereológicas adversas, eram missão quase impossível de ser bem sucedida. Tentando visualizar o contorno do litoral paulista e identificar a luzes de Ubatuba, Ferreira pode ter efetuado manobra evasiva ao avistar o vulto do Pico do Papagaio em meio à chuva. Nas condições precárias em que o vôo desenvolvia (monomotor), tal manobra pode ter causado perda de sustentação, que levou o avião a precipita-se sobre a mata que recobria o morro.
Vinte e sete mortos foi o passivo do desastre da Ilha Anchieta, ocorrido somente três dias depois do acidente com PP-VCF da Varig, em Bagé. A “Bruxa” andava mesmo solta naquele fatídico abril de 1957
Abs. Cursio
O acidente na Ilha Anchieta - PP-ANX
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José Cursio
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