Aeroporto da Ota avança

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Aeroporto da Ota avança

Mensagempor Anonymous » Sex Abr 29, 2005 10:29

Mário Lino diz que Ota é a "melhor solução" em cima da mesa, mas tem limites de capacidade e deixa o executivo "desconfortável"


O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, afirmou ontem que Portugal tem de construir rapidamente um novo aeroporto internacional e que a "melhor solução" neste momento em "cima da mesa" é avançar com a Ota, mas mostrou-se insatisfeito com a capacidade prevista para esta infra-estrutura.
"O problema da Ota é que tem apenas capacidade para 30 milhões de passageiros, mas é a melhor solução que temos", comentou o governante, em declarações aos jornalistas, à saída de uma sessão solene realizada pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC). Mário Lino admitiu que este aeroporto "não acrescenta tanta [capacidade anual de tráfego de passageiros] quanto o Governo gostaria", o que deixa o executivo "algo desconfortável" com a solução.
O ministro não excluiu estudar alternativas ao projecto da Ota, mas acrescentou que esta é "a localização que actualmente está em cima da mesa". Por outro lado, o governante salientou que a construção terá de avançar rapidamente. "Não tenho qualquer dúvida de que Lisboa precisa de um aeroporto de dimensão internacional, um verdadeiro hub, senão arriscamo-nos a ter só um na Península Ibérica, em Madrid", afirmou.
Mário Lino referiu-se também à solução de criar um aeroporto secundário que servisse de "satélite" em relação à Portela como uma proposta que surgiu no final da anterior legislatura, mas considera que esta hipótese seria igualmente limitativa em termos de capacidade: "Não acrescenta tanto como gostaríamos, pois [os dois aeroportos em conjunto] só poderiam ir até cerca de 21 ou 23 milhões de passageiros".
A eventual criação de um segundo aeródromo para servir os voos charter e as companhias de tarifas reduzidas (low cost) tem sido defendida por vários empresários e técnicos ligados ao sector, entre os quais o presidente da Portugália, Ribeiro da Fonseca, e José Manuel Viegas, docente do Instituto Superior Técnico especialista em Transportes. No entanto, questionado sobre o prazo para uma decisão definitiva sobre estas matérias, Mário Lino não avançou com uma data precisa. O assunto deverá ser abordado no âmbito da definição das grandes obras públicas prevista para Junho - um plano que está a ser liderado pelo ministro da Economia, Manuel Pinho.
O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações defendeu também a procura de um "grande consenso nacional" em relação aos principais projectos, incluindo o aeroporto e o futuro traçado da alta velocidade ferroviária. Quanto à alta velocidade, Mário Lino prevê a tomada de uma decisão no prazo de um mês, Segundo o responsável da tutela, existem duas questões sobre as quais reconhece não ter opinião formada: a utilização ou não da actual Linha do Norte para a ligação Lisboa-Porto e ainda se a saída de Lisboa, em direcção à Invicta, deverá ser pelo norte da capital ou pelo sul, tendo nesse caso de se construir uma terceira travessia ferroviária entre Chelas e o Barreiro.
Quanto à área portuária, o ministro acrescentou que tem de ser criada uma estratégia concertada a nível nacional entre os vários portos, aproveitando as valências e competências específicas de cada um, uma vez que actualmente acabam por concorrer entre si.

LNEC reforça
competências
O vice-presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Carlos Matias Ramos, vai assumir a presidência da instituição, ocupando o lugar deixado vago pelo actual ministro do Ambiente, Nunes Correia, anunciou ontem o ministro das Obras Públicas. Mário Lino anunciou ainda que o Governo está a preparar um despacho que torna obrigatória a intervenção do laboratório no acompanhamento das grandes obras públicas.
Agentes reagem com mais perplexidade


As declarações do ministro das Obras Públicas, Mário Lino, foram acolhidas com algumas cautelas e bastante perplexidade por alguns sectores contactados pelo PÚBLICO. O Movimento pró-Ota, o sector da construção e um investigador preferiram sublinhar o agrado que lhes merecia o facto de o novo Governo ter assumido como "urgente" tomar uma decisão relativamente ao aeroporto de Lisboa, mas compreendem menos que o ministro tenha vindo a público admitir que pode vir a tomar uma decisão à qual põe defeitos à partida.
Henrique Neto, empresário, e que integra também o Movimento Pró-Aeroporto da OTA, afirmou ao PÚBLICO estar "satisfeito" com o facto de o Governo socialista estar disposto a considerar a tomada de decisão como uma "necessidade urgente", mas não percebe por que é que o ministro admite que o executivo está desconfortável com a decisão que, alegadamente, estará a "empurrar" a localização do aeroporto para a Ota. "Parece que se estão a repetir erros do passado, a dar um passo à frente e a recuar outros dois. Se há desconforto e constrangimentos, o ministro que diga quais são. Porque vir dizer que se trata de uma questão de capacidade de aumentar o tráfego não é argumento. O novo aeroporto pode ser desenhado para 30 milhões de passageiros, como para 40 milhões. Como é que o Governo está desconfortável com uma decisão que é ele que tem de tomar?", questiona o empresário.
José Luís Almeida e Silva, investigador, assinala que assumir a relevância de um aeroporto "como um mero terminal de entrada e saída de passageiros" é um "erro preocupante", já que, considera, está a ser secundarizada a perspectiva de que a localização de um aeroporto deve ser definida pela "capacidade de alavancar o desenvolvimento, pelo cluster de actividades que podem surgir na sua envolvente". "Pensar que o aeroporto da Portela pode ser melhorado é um erro. Onde é que lá poderiam aterrar os A380 que começaram a ser construídos?", questionou.
Quem não quis questionar a localização do aeroporto ou as dúvidas do ministro foi o recém-eleito presidente da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas, Reis Campos. "Só podemos louvar o facto de o projecto do aeroporto ter voltado, de novo, a ser considerado urgente. Esta associação tem vindo a defendê-lo há muito tempo, porque se trata de uma infra-estrutura muito importante para o país e que também vai contribuir para dinamizar o sector da construção", argumentou


in Público
Anonymous
 

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