Número de birdstrikes chega a quase 10 mil nos EUA

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Número de birdstrikes chega a quase 10 mil nos EUA

Mensagem por SBLO »

10 de março de 2010 - 13h45min

Número anual de colisões entre aeronaves e aves chega próximo ao recorde de 10.000 nos EUA

Relatos de aviões atingindo aves e outros animais selvagens aumentaram muito em 2009, desde que o jato da US Airways pousou nas águas do Rio Hudson, em Nova Iorque. O governo anunciou que será ultrapassada, pela primeira vez na história, a casa das 10.000 colisões entre aeronaves e animais. O ritmo das colisões mais severas está aumentando em um ritmo mais acelerado que o das colisões com pouco ou nenhum dano.

Houve, nos primeiros sete meses de 2009, pelo menos 57 colisões que causaram danos graves às aeronaves. Em quatro eventos, sendo um com um helicóptero, as aeronaves foram destruídas, de acordo com a análise dos dados do governo disponíveis. Pelo menos oito pessoas morreram e seis ficaram feridas.

Dentre as aeronaves destruídas se inclui um Airbus A320, com 155 pessoas a bordo, que pousou no Rio Hudson, há um ano, após ter colidido com um bando de gansos canadenses "Branta canadensis". Nenhuma vida foi perdida naquele pouso dramático no rio. Mas, no caso do helicóptero S-76 que, no mesmo mês, colidiu com um búteo de cauda vermelha "Buteo jamaicensis", enquanto seguia para uma plataforma de petróleo, perto da cidade de Morgan, na Louisiana, houve vítimas. Dois pilotos e seis passageiros faleceram; o único sobrevivente sofreu lesões graves. E não são poucos os relatos assustadores de motores danificados e pousos de emergência.

Os aeroportos e as companhias aéreas estão se tornando mais atentos para confeccionar os reportes, disse Mike Begier, coordenador nacional do Programa de Perigo da Vida Selvagem nos Aeroportos, no Departamento de Agricultura (USDA). Mas os especialistas também afirmam que aumentaram as populações de aves de grande porte, como o ganso canadense que, com seu peso, pode inviabilizar o funcionamento de motores dos grandes jatos de passageiros. "As aves e os aviões estão lutando pelo espaço aéreo, que está ficando cada vez mais congestionado", disse Richard Dolbeer, um especialista em colisões deste tipo, que hoje está assessorando a Federal Aviation Administration (FAA) e o USDA.

As notificações em 2009 apresentaram um aumento de 40% e a contabilidade ainda não foi encerrada. No entanto, o governo considera que a divulgação dos detalhes sobre tais colisões desencorajaria a continuidade dos reportes oriundos dos aeroportos e das companhias aéreas, uma vez que tal procedimento desestimula pessoas de continuarem voando. O recorde anterior de notificações ocorreu em 2007 (7.734 relatos). O governo estima que, caso as notificações de 2009 ultrapassarem 10.000 colisões, terão ocorrido, em média, 27 colisões a cada dia no ano.

Após o pouso milagroso da aeronave da companhia US Airways no Hudson, em 15 de janeiro de 2009, a imprensa clamava ao governo para ter acesso ao banco de dados de colisões reportadas, informações detalhadas sobre mais de 93.000 colisões notificadas, desde 1990. Mesmo após a FAA ter decidido entregar os registros, ainda houve a tentativa de intervenção, através de uma regra federal para manter a informação em segredo. Até que o Secretário dos Transportes, Ray LaHood, interveio e ordenou a liberação. A FAA recentemente divulgou uma lista de ações realizadas em 2009, voltadas para o aumento da segurança.

"A divulgação dos registros não parece ter prejudicado. Todos os indicadores que tenho apontam para uma maior consciência da indústria sobre a importância da comunicação de colisões", disse Kate Lang, representante da FAA na área de administração aeroportuária, em uma entrevista.

Nem todas as administrações aeroportuárias têm sido diligentes. O Aeroporto Teterboro, em Nova Jersey, por exemplo, comunicou 46 colisões durante os primeiros sete meses de 2008, mas apenas 12, no mesmo período em 2009. Quando foi questionado pela imprensa sobre a diminuição, a administração do aeroporto informou ter havido 28 colisões, e não 12, nesse período, mas estes 16 reportes tinham sido esquecidos.

Um porta-voz da Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey, John Kelly, disse que a falta de informação foi um descuido e que a administração do aeroporto iria, de imediato, enviar os registros dos choques ainda não comunicados. A entidade administra o aeroporto que, no ano passado, teve um dos maiores índices de colisões com aves no país. Dolbeer, especialista do governo sobre o assunto, disse que várias colisões graves ocorridas longe dos aeroportos eram especialmente preocupantes.

No dia 4 de novembro de 2009, sobre a porção leste do Arizona, o piloto Roger Wutke havia iniciado a descida de 11.000 pés, a bordo de sua aeronave, um Beech 99, bimotor à hélice, quando um mergulhão de pescoço preto "Aechmophorus occidentalis" adentrou a aeronave pelo para-brisa. A ave acertou o piloto, arrancou-lhe os óculos, quebrou seus fones de rádio-comunicação e cobriu-o de sangue.

Sem condições de enxergar muito bem, devido ao fluxo de ar através do para-brisa quebrado, e, pior ainda, sem condições de ouvir os controladores de tráfego aéreo, devido ao forte ruído, Wutke ainda assim conseguiu pousar seu avião com segurança. "Eu não sei como eu fiz isso, foi muito difícil", disse em entrevista.

Dois dias antes, um jato da Delta Air Lines fazendo a rota entre Phoenix e Salt Lake City, com 65 passageiros, bateu em aves da mesma espécie, a cerca de 12.000 pés. O impacto produziu um buraco de 55 centímetros na fuselagem do MD-90, obrigando os pilotos a declarar situação de emergência e retornar para o Aeroporto de Phoenix.

Em 14 de novembro de 2009, um Airbus A319 da empresa Frontier Airlines ia para Denver, quando colidiu com um bando de gansos da neve "Anser caerulescens" a cerca de 4.000 pés, forçando o desligamento de um dos motores. O outro motor também foi atingido, mas não apresentou perda de potência, o avião retornou à cidade de Kansas para um pouso de emergência.

A FAA tem se preocupado principalmente em manter as aves fora dos aeroportos, onde a maioria das colisões acaba ocorrendo. Mas o mergulhão de pescoço preto e o ganso da neve são aves migratórias e estavam voando bem longe de aeroportos quando estas colisões ocorreram – “prova de que mais atenção deve ser necessária para reduzir a ameaça de colisões de aeronaves com animais mesmo longe dos aeroportos”, disse Dolbeer.

A FAA declarou que está fiscalizando e pressionando os aeroportos que ainda não conseguiram completar os requisitos necessários de análise do risco sobre o assunto. “Foram identificados 91 aeroportos que deveriam ter realizado avaliações de risco formais, mas essas avaliações ainda não foram entregues à agência”, disse Lang. Também estão sendo conduzidos testes com diferentes tipos de radares para detecção de aves, que permitirão ao pessoal dentro dos aeroportos encontrá-las e afastá-las.

Alguns aeroportos estão substituindo arbustos que atraem aves e insetos que servem de alimento para as aves. Em alguns casos, os aeroportos estão utilizando a falcoaria para afugentar bandos de aves menores. “Uma comissão mista governo-indústria que desenvolve soluções para os problemas de segurança na aviação recentemente inseriu o assunto entre seus temas-chave de pesquisa”, disse Lang.

De janeiro a julho de 2009, houve 4.671 colisões relatadas para o banco de dados do governo, um aumento de 22% em relação ao mesmo período de 2008. Ainda neste período, as colisões com consequências mais severas aumentaram 36%.

Os funcionários que trabalham com o banco de dados ainda estão inserindo manualmente os reportes recebidos em papel, relativos ao segundo semestre de 2009. Eles declararam que os reportes on-line indicaram um aumento ainda maior durante o período. O banco de dados inclui colisões com todas as espécies de animais - como veados e coiotes nas pistas - mas, historicamente, 98% dos incidentes relatados envolvem aves.

Houve um caso, de acordo com os relatórios do governo, em que uma águia americana "Haliaeetus leucocephalus" foi sugada pela turbina direita de uma aeronave Boeing 757, da United Airlines, que acabara de decolar do Aeroporto Internacional de Denver, causando US$ 14 milhões em danos. O avião, com 151 passageiros e tripulantes, que iria para São Francisco, foi obrigado a retornar para Denver.

Em dezembro de 2009, uma aeronave Boeing 767, da Continental Airlines, com 134 passageiros colidiu com aves, após ter decolado do Aeroporto Internacional Newark Liberty, em Nova Jersey, danificando um dos motores. O avião permaneceu em voo, alijando 37.000 litros de combustível de aviação sobre um distrito a oeste do aeroporto, antes de retornar para o pouso de emergência.

Os dados mostraram que, nos primeiros sete meses de 2009, 218 aeroportos relataram números de colisões inferiores aos reportados no mesmo período de 2008, mas 351 aeroportos notificaram mais colisões. Cinquenta e nove aeroportos relataram números semelhantes ao do ano anterior.

Entre os aeroportos que apresentaram maior aumento nas notificações estão: o Internacional Buffalo-Niagara, que notificou 22 colisões, no período de 2008, e 46, no mesmo período em 2009; o George Bush Intercontinental, em Houston, que saltou de 20 para 64 colisões; o Detroit Metro, que aumentou de 49 para 91; o Internacional Baltimore-Washington Thurgood Marshall, que saltou de 35 para 52 e o Internacional de Orlando, na Flórida, que saltou de 39 para 59 colisões relatadas.

O Aeroporto de Denver registrou o maior número de colisões com pássaros nos primeiros sete meses de 2009, nos EUA, com 273 notificações enviadas, um aumento de mais de 223 registros emitidos em relação ao mesmo período de 2008. Este aeroporto é o que investe mais dinheiro, e contratou um segundo biólogo. O aeroporto tem uma área de 135 quilômetros quadrados, o que o torna o maior dos EUA, sendo cercado por áreas agrícolas. Autoridades locais aprovaram a instalação de um aterro sanitário próximo ao aeroporto, em 2008, apesar das informações de que a área de deposição irá ser um foco atrativo de aves.

A FAA aprovou os planos da Prefeitura de Nova Iorque para a instalação de uma estação de transferência de lixo, a cerca de 650 metros de uma das cabeceiras do Aeroporto LaGuardia - o mesmo utilizado na decolagem do Voo 1549, da empresa US Airways. Momentos depois, esta aeronave atingiu os gansos e teve que pousar em emergência no Hudson. Em ambos os casos, as autoridades locais declararam que as instalações do lixo poderiam ser adequadamente controladas para que não venham a atrair as aves.

Entre os aeroportos com diminuição no número de notificações no período, os dados mostraram que ocorreram 23 colisões, no Internacional de Tampa, e apenas 10 em 2009; o Internacional Cleveland Hopkins emitiu registro de 73, em 2008, e apenas 53, em 2009. Ambos os aeroportos declararam que os números são a expressão da verdade nos respectivos períodos.

“O Aeroporto de Cleveland tem trabalhado agressivamente em métodos de expulsão das aves, bem como na redução das fontes de alimentos”, disse Jackie Mayo, o porta-voz do aeroporto. “O Aeroporto de Tampa também realiza ações de afugentamento das aves e atribuiu parte da redução no número de notificações à redução do fluxo de aeronaves”, disse Robert Burr, seu Diretor de Operações. O tráfego aéreo se manteve reduzido nos EUA, em 2009, devido à crise da economia mundial.

A comunicação de colisões de aeronaves com animais é voluntária, embora o National Transportation Safety Board (NTSB) tenha recomendado, em 1999, que a FAA deveria torná-lo obrigatório.

Bird data near record 10.000 per year (Título original)

Traduzido por Henrique Rubens Balta de Oliveira – Maj Aviador

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NTSB investiga colisão com pássaro, que matou cinco pessoas em 2008

O bimotor Cessna Citation 500 subiu para 3.100 pés e estava passando sobre a margem do Lago Overholser, na cidade de Oklahoma, em 4 de março de 2008, quando colidiu com um pelicano branco (“Pelecanus onocrotalus”), uma das maiores espécies de aves da América do Norte. Testemunhas disseram ter ouvido uma forte explosão, era o colapso dos motores, e depois viram o avião mergulhar em direção ao solo, deixando para trás um rastro de fumaça cinza, a cerca de sete quilômetros do Aeroporto Wiley Post.

Os pilotos Tim Hartman, 44, e Rick Sandoval, 40, e os executivos Garth Bates Jr., 59, Frank Pool Jr., 60, e Lloyd Austin, 57, morreram no acidente. O National Transportation Safety Board (NTSB), que é responsável pela investigação de acidentes com os transportes nos EUA, avalia as implicações na área de segurança operacional do acidente e quais devem ser as medidas adicionais que podem ser tomadas para tragédias similares.

O perigo decorrente das colisões entre aeronaves e aves, chamado no Brasil de perigo aviário ou perigo da fauna, tem recebido especial atenção desde que o voo 1549 da empresa US Airways pousou nas águas do Rio Hudson, em 15 de janeiro de 2009, depois de ter colidido com um bando de gansos canadenses (“Branta canadensis”), poucos minutos após ter decolado do Aeroporto La Guardia, em Nova Iorque. O acidente foi batizado de “Milagre no Hudson", pois todas as 155 pessoas a bordo sobreviveram. Enquanto o voo 1549 tornou-se célebre por tudo que deu certo, o acidente de Oklahoma é o exemplo de como as coisas podem dar errado.

Embora as populações de aves em geral estejam diminuindo, quase todas as grandes espécies de aves têm aumentado desde a década de 1960, quando foram promulgados diversos atos de proteção ambiental nos EUA. O tráfego aéreo também tem aumentado dramaticamente, e mesmo que neste período o movimento de aeronaves tenha diminuído, devido à crise econômica mundial, a projeção é que o número de pousos e decolagens anual nos Estados Unidos deve superar 1 bilhão até o ano de 2020.

"Temos aves e aviões literalmente lutando pelo espaço aéreo", disse Richard Dolbeer, um dos mais experientes especialistas mundiais no assunto. Uma das espécies que têm apresentado aumento populacional é o pelicano branco, que pesa, em média 7 quilos, mas que pode atingir até 14 quilos.

"Eu não quero ser alarmista, mas a minha opinião é que algo deve ser feito sobre isso", disse o Diretor-Presidente em exercício do NTSB, Mark Rosenker, em um aeroclube em Wichita, Kansas, há alguns meses.

O Aeroporto Wiley Post está localizado entre dois lagos e existe a um refúgio de vida selvagem nas adjacências. A Federal Aviation Administration (FAA), agência que administra a aviação civil nos EUA, recomenda que áreas "atrativas da vida selvagem" não devem estar localizadas a menos de oito quilômetros do perímetro de um aeroporto.

A FAA exige também que os aeroportos que recebem auxílio do governo federal e que estão cercados por áreas alagadas ou mesmo espelhos d'água devem avaliar constantemente o risco de colisões de aeronaves com animais. Apesar de Wiley Post aparentar cumprir estas exigências, os funcionários do aeroporto não realizaram avaliações de risco e não tinham nenhum plano para reduzir o risco de colisões, segundo documentos do NTSB.

Esses documentos sugerem ainda que as equipes deste aeroporto não se preocuparam em enviar os relatos de colisões de aves ao banco de dados nacional mantido pela FAA e pelo Ministério da Agricultura (USDA). Entre o ano de 1990 e junho de 2008, Wiley Post relatou oito colisões com aves. O maior aeroporto de Oklahoma, Will Rogers World, remeteu 364 colisões no mesmo período.

Há uma década, o NTSB recomendou que os aeroportos e as companhias aéreas deveriam ser obrigados a comunicar todas as colisões de aeronaves com aves, mas a FAA manteve a comunicação voluntária. A estimativa é que somente 20% das colisões sejam comunicados ao banco de dados. A agência está estudando a viabilidade de tornar compulsório esse tipo de comunicação.

O ex-diretor do NTSB, Jim Hall, declarou que a notificação obrigatória seria importante na identificação de onde o problema é mais grave e quais contramedidas foram as mais eficazes. O maior problema é como tornar a notificação obrigatória já que nem sempre existem meios de checar se uma colisão realmente aconteceu.

Registros de radar mostraram 19 indicações que se acreditava serem bandos de aves voando sobre o Lago Overholser, na trajetória do Cessna Citation, minutos antes da colisão. Mas, enquanto esses alvos eram identificáveis, na visualização pós-acidente, havia quase 6.000 retornos radar na área de Oklahoma, poucos minutos antes do acidente.

Estão sendo executados testes com radares, para a detecção de aves, em diversos aeroportos. A tecnologia ainda é utilizada principalmente como ferramenta para os biólogos, que identificam os bandos e aplicam sobre eles medidas para afastá-los da área dos aeroportos.

Alguns especialistas acreditam que a solução final pode ser o desenvolvimento de equipamentos que, instalados nas aeronaves, afugentem as aves, talvez luzes intermitentes ou sons que lhes sejam desagradáveis. A FAA, no entanto, não desenvolve nenhum tipo de pesquisa sobre tal tecnologia até o momento.

"Tenho certeza de que se tivéssemos mais recursos para tais pesquisas, estaríamos desenvolvendo meios mais eficazes que os atuais", disse John Goglia, um ex-funcionário do NTSB. "Enquanto não dedicarmos o empenho necessário ao assunto, o problema continuará a aumentar".

NTSB to consider 2008 bird collision that killed 5 (Artigo original)
Traduzido por Henrique Rubens Balta de Oliveira - Major Aviador

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Banco de dados sobre birdstrike nos EUA:

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