Com a desativação dos KC-137 (Boeing 707) em meados de 2013, a Força Aérea Brasileira perdeu a capacidade logística para transporte de longo alcance.
Atualmente as missões de transporte de tropas e cargas são realizadas pelos C-130M e C-195, aeronaves de alcance e capacidade limitadas. A missão presidencial é realizada por um Airbus A319ACJ e dois Embraer 190, os quais tem limitações de autonomia, o que aumenta os custos dos voos de longo curso devido as escalas para reabastecimento e eventuais pernoites.
Devido o atual cenário político-econômico nacional e os atrasos no projeto KC-X2, que visa a aquisição de um novo avião para substituir os KC-137, O Governo Brasileiro decidiu arredar uma aeronave de grande capacidade de carga e longo alcance, para suprir emergencialmente a lacuna logística deixada pela aposentaria dos KC-137.
Desta forma, a Comissão Aeronáutica Brasileira em Washigton (CABW - http://www.cabw.org) lançou um edital para leasing de um Boeing 767-300ER por um período de 36 meses, prorrogável por 12 meses. O edital será publicado até o final de abril e o vencedor será aquele que oferecer o avião pelo menor valor global. No edital não há menção sobre a capacidade para realizar reabastecimento em voo.
>>> Acesse o edital: https://www.cabw.org/edital/REIFB160335.pdf
O Boeing 767 será operado pelo 2º/2º Grupo de Transportes "Esquadrão Corsário", que já tem pilotos treinados pela TAM CARGO/ABSA. Segundo o edital a aeronave deverá ser entregue com a pintura (camuflagem) cinza e marcas da FAB. Informações publicadas nas redes sociais (não oficiais), indicam que a matrícula do 767 deverá ser FAB 2405.
O edital apresenta alguns detalhes sobre o Boeing 767, objeto do leasing:
- - A aeronave não deverá ter mais de 25 anos;
- não poderá ter sido envolvida em acidente;
- ETOPS 180
- deverá ter capacidade para transportar passageiros em duas classes (de 24 a 32 na business e até 230 na econômica);
- assentos reclináveis 180 graus na business;
- compartimento para carga paletizada;
- porta de carga;
- 30 containers LD-2;
- deverá estar com todos os checks de manutenção em dia
Na página 58 do edital, há uma curiosa tabela que demonstra a economia operacional do 767 em determinadas missões de transporte. São elas:
1) Missão Haiti - transporte de 1200 militares
- > Boeing 767-300ER
Voos: 5 voos para levar os militares (245 militares/voo)
Tempo missão: 5 dias
Velocidade em rota: 480kt
Rota: Galeão - Port au Prince (ida e volta)
Horas voo: 65:00
Custo: US$780.000,00
- > C-130 Hércules
Voos: 14 voos para levar os militares (86 militares/voo)
Tempo missão: 28 dias
Velocidade em rota: 280kt
Rota: Galeão - Boa Vista - Port au Prince (ida e volta)
Horas voo: 310:00
Custo: US$3.772.796,00
* O C-130 necessita pernoitar em Port-au-Prince
* A Marinha do Brasil gastou R$5 milhoes em 2015, alugando aviões da Gol para realizar essas missões para o Haiti
2) Missão presidencial no Japão (Missão Tóquio):
- > Um Boeing 767-300:
Rota: Brasília - Bucareste - Tóquio (ida e volta)
Tempo: 40 horas
Pernoites: zero
Disponibilidade: 20ton equipamentos + 200 passageiros
Custo: US$480.000,00
> Dois VC-2 (Embraer 190) - atuais aeronaves
Rota: Brasília - Natal - Las Palmas - Helsinki - Abakan/Russia - Tóquio (duas aeronaves ida e volta)
Tempo: 50 horas (cada avião)
Pernoites: 02
Disponibilidade: 4,2ton + 42 passageiros (cada avião)
Custo: US$440.000,00 (por avião)
* Previsão de 80 passageiros em uma missão presidencial.
* O 767 transporta 4x mais passageiros pela metade dos custos sem a necessidade de pernoites
* O consumo médio do 767 com 25t de carga é 4500kg.